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segunda-feira, 22 de julho de 2019
Revista Alfa, número 11
A mais recente edição da revista Alfa é dedicada ao património cultural no concelho de Fafe, e já está disponível online. Pode ser lida aqui. Sobre o Club Alfa, toda a informação aqui e aqui.
sexta-feira, 14 de setembro de 2018
Fafe era o fim do mundo
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Houve um tempo em que Fafe era o fim do mundo. Tenho testemunhas. Gente que se metia no comboio em Ouagadougou ou em Anchorage, vamos um supor, às tantas desprecatava-se, passava pelas brasas e quando acordava já estava em Fafe, porque não havia volta a dar, o mundo acabava ali, numa parede à frente do nariz, rés-do-chão da Rua do Retiro. Era também o fim da linha da CP. Ou o princípio, consoante o ponto de vista. Mas, chegando a Fafe, saía-se do comboio, subia-se a rampa até ao Zé da Menina, respirava-se fundo, olhava-se para o Largo e fazia-se vida. Se forem num instante à minha terra, ainda vão encontrar quem conte como fez. Perguntem ao Gino.
Depois a automotora começou a madrugar só para mim, para me trazer ao namoro ao Porto e tornar-me a casa à noite, Fafe desistiu do comboio e queixou-se muito quando lho "tiraram".
Hoje o fim do mundo é em Guimarães. É lá que está o muro. Para além dali, nada. É um fim do mundo indoor, asmático e com luzinhas de discoteca, uma boa merda à beira do nosso fim do mundo antigo, que era outra categoria - ao ar livre, com couves, tomates, cheiro a alfádega e só saúde. Ainda por cima, o nosso fim do mundo era feminino: dizia-se em Fafe, não sei explicar porquê, "a" fim do mundo.
O mundo está, portanto, mais pequeno. Isto é científico. Mingou 14 quilómetros. Este aperto mundial, de mais a mais num tempo em que os bons vão caindo como tordos, daria jeito para que nos aconchegássemos um bocadinho, trocássemos olás de boca, para que nos abraçássemos se fosse o caso, e no entanto apartamo-nos cada vez mais uns dos outros, de cabeças enfiadas em caixinhas de cores com teclas.
Ia-me esquecendo: a outra conclusão a tirar, e igualmente científica, é que Fafe já não é deste mundo.
(O texto acima foi escrito, no seu geral, em 2013. Um artigo de Pedro Sousa, fafense excelentíssimo, acaba de revelar-me que Fafe, com jeitinho, ainda pode ser deste mundo...)
quinta-feira, 23 de março de 2017
Revista Alfa, número 9
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
Fafe mata mas não esfola
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Ao contrário (nunca se deve começar um texto com a expressão "ao contrário"), mas, como dizia, ao contrário de uns certos e determinados palermóides, fafenses ou nem por isso, que têm vergonha da Justiça de Fafe, eu não tenho. É verdade: tenho é orgulho. Gosto da lenda da Justiça de Fafe, acompanha-me desde que eu nasci, identifica-me pelo mundo fora, e até aprecio o monumento, embora o desejasse mais central.
Já aqui escrevi: a Justiça de Fafe é a metáfora folclórica de uma gente de paz que não gosta de levar desaforo para casa, ou que costumava não gostar. Nós, os fafenses. O resto é treta, mais ou menos erudita. Geralmente menos. "Com Fafe ninguém fanfe" quer dizer, tão-só, com Fafe ninguém se meta. Porque, quem se meter, quem nos ofender de graça, recebe o troco, e que mal tem isso? E, no entanto, muito boa gente confunde, hoje em dia, este velho sentido de verticalidade com fazer justiça pelas próprias mãos. Não é nada disso. A Justiça de Fafe deve ligar-se, antes, à defesa da honra. A coça é semântica.
É isto e mais nada. Nem luta de classes, nem administração de justiça privada, nem apologia da justiça popular, nem jogo do pau, nem fanfarronice, nem sacholadas, nem pistolas e navalhadas, nem Felizardos, nem bordoada por dá cá aquele copo. Tudo equívocos. As lendas têm costas largas, de toda a conveniência para o caso em apreço, mas saber ler antes de escrever também nunca fez mal a ninguém, e sobretudo aos alegados historiadores.
Não vamos mais longe. Podíamos ir à Porca de Murça, mas não vamos mais longe: deitemos os olhos a Guimarães, que após Arões é sempre ao baixo e sem portagens. A vaidade que os nossos vizinhos têm na estátua de D. Afonso Henriques, esse gandulo que usava saias e batia na mãe! Ainda por cima, existiu mesmo, e a nossa Justiça de Fafe é só bazófia, invenção - mas é a coisa mais bonita a que nos podemos agarrar, para além da forca de Moreira do Rei...
Os reis de Espanha vieram no outro dia a Portugal e o nosso presidente Marcelo levou-os a Guimarães e à estátua do tratante, do Afonsinho: a Letizia e o Felipe puseram-lhe flores. Em Fafe, a Câmara Municipal inventou um pedregulho Por Baixo da Arcada, no salão nobre da cidade, para poupar aos ilustres e televisivos visitantes o embaraço de se cruzarem com a Justiça de Fafe ela própria.
Que Fafe mata é verdade. Não por acaso, a Câmara Municipal faz questão de abrilhantar o programa das tradicionais Feiras Francas, lá pelos meados de Maio, com uma extraordinária largada de perdizes tontas, condenadas à matança à-seja-ceguinho. E organiza ou apoia também batidas à raposa e montarias ao javali. Atenção: raposas, javalis e ursos polares em Fafe são mato, uma verdadeira epidemia. Tal como as perdizes de aviário.
Por outro lado, a Câmara Municipal de Fafe gosta muito de animais, coitadinhos dos bichos. Acolheu há dias a 44.ª Exposição Nacional e Pré-Olímpica de Columbofilia e no próximo mês de Fevereiro fará o favor de nos deliciar com a X Exposição Canina Nacional de Fafe. Quer-se dizer: desde que (eventualmente) dê na televisão ou pelo menos no Facebook, para a Câmara está bem...
P.S. - Ainda sobre a Justiça de Fafe e sonsos programas de televisão a pagar pelos munícipes-contribuintes, recomendo a leitura deste texto, que está fresquinho. Com o jogo das cadeiras aí à porta, e com os aboletados e ex-aboletados do costume atarefados nas traições do costume (o PS é mesmo um saco de gatos, dasse!...), cada vez percebo menos que a minha terra se dê a luxo se desaproveitar as cabeças verdadeiramente pensantes e arejadas de homens de princípios e honra como, por exemplo, e sem ofensa àqueles de que me esqueço ou não conheço: Pedro Sousa, António Daniel, Miguel Summavielle ou Ricardo Gonçalves - já viram que equipa?! Há quatro ou cinco anos convenci-me de que o Ricardo haveria de dar, mais cedo ou mais tarde, um excelente presidente da Câmara de Fafe. Informo-me com regularidade acerca do seu trajecto, e não tenho razões para mudar de ideia...
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terça-feira, 21 de junho de 2016
Revista Alfa, número oito
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Revista Alfa, número sete
domingo, 8 de junho de 2014
quarta-feira, 4 de junho de 2014
Fafe e o turismo
| Foto Hernâni Von Doellinger |
"O turismo em Fafe" é tema para um debate a realizar no próximo sábado, dia 7 de Junho, pelas 21h30, no Club Fafense. Mais uma iniciativa do Club Alfa, dinamizada, como sempre, por Pedro Sousa, que desta vez conta com a participação de Abel Castro, Alberto Baptista, António Daniel, Carla Paredes Castro, Carlos Afonso, Jesus Martinho, Luís Carvalho, Miguel Summavielle e Ricardo Gonçalves.
Na ocasião será apresentado o número seis da revista Alfa.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Fafe discute o turismo
| Foto Hernâni Von Doellinger |
"O turismo em Fafe" será tema para um debate a realizar no próximo dia 7 de Junho, sábado, pelas 21h30, no Club Fafense. É mais uma iniciativa do Club Alfa, dinamizada, como sempre, pelo irrequieto Pedro Sousa. Participam também Abel Castro, Alberto Baptista, António Daniel, Carla Paredes Castro, Carlos Afonso, Jesus Martinho, Luís Carvalho, Miguel Summavielle e Ricardo Gonçalves.
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