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sábado, 7 de outubro de 2017

Alarico Ribeiro 2

Infinito do sonho

Como a criança a correr atrás das borboletas,
Vamos estrada afora em busca da alegria...
De sonho em sonho, então - vêm as paixões infectas!
De sonho em sonho, após - foge um dia e outro dia!

A vida nos retraía em lúcida magia,
Essas noites sem fim de luares repletas,
Em que nos fala a luz às almas da ironia
De um mundo que nos abre as ambições secretas...

À tarde a criança volta à casa. A rede leva
De borboletas cheia, e brinca e folga, e lança
Uma por uma à chama - a morte enfim as ceva...

Mas nós seguimos sempre, e, quem sabe, sem termos
No peito úmido e frio o fruto da esperança,
Para servir de pasto aos corações enfermos!
 
"Oásis", Alarico Ribeiro 

(Alararico Ribeiro nasceu no dia 7 de Outubro de 1876. Morreu em 1905.)

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Alarico Ribeiro

As cartas

Não que eu renegue as cartas cariciosas,
cheias de fé e amor, terno e eloquente,
Nas quais se espelha tudo que só sente
O coração das mães - almas bondosas!

Não que as despreze... Adoro-as, certamente,
Que me falam, me arrulham, dolorosas,
Como um bando de pombas amorosas
No pombal de minh'alma, irial e ardente!

Mas, que pode dizer-nos numa carta
Mais do que disse já, que não nos farta,
Um coração de mãe, santo e divino,

Se, como a mim, te fala sempre e eterna
A imagem grata da mulher superna
Que te formou a alma em pequenino?... 

"Oásis", Alarico Ribeiro 

(Alararico Ribeiro nasceu no dia 7 de Outubro de 1876. Morreu em 1905.)