Mostrar mensagens com a etiqueta O Seu a Seu Tempo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O Seu a Seu Tempo. Mostrar todas as mensagens

domingo, 10 de maio de 2020

Luiza Neto Jorge 4

A casa do mundo

Aquilo que às vezes parece
um sinal no rosto
é a casa do mundo
é um armário poderoso
com tecidos sanguíneos guardados
e a sua tribo de portas sensíveis.

Cheira a teias eróticas. Arca delirante
arca sobre o cheiro a mar de amar.

Mar fresco. Muros romanos. Toda a música.
O corredor lembra uma corda suspensa entre
os Pirenéus, as janelas entre faces gregas.
Janelas que cheiram ao ar de fora
à núpcia do ar com a casa ardente.

Luzindo cheguei à porta.
interrompo os objetos de família, atiro-lhes
a porta
Acendo os interruptores, acendo a interrupção,
as novas paisagens têm cabeça, a luz
é uma pintura clara, mais claramente me lembro:
uma porta, um armário, aquela casa.

Um espelho verde de face oval
é que parece uma lata de conservas dilatada
com um tubarão a revirar-se no estômago
no fígado, nos rins, nos tecidos sanguíneos.
É a casa do mundo:
desaparece em seguida.


"O Seu a Seu Tempo", Luiza Neto Jorge

(Luiza Neto Jorge nasceu no dia 10 de Maio de 1939. Morreu em 1989.)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Luiza Neto Jorge

A magnólia 

A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu resplendor. 

Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria - na metáfora -
necessária, e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala. 

A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade, 

um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.

"O Seu a Seu Tempo", Luiza Neto Jorge

(Luiza Neto Jorge nasceu no dia 10 de Maio de 1939. Morreu em 1989.)