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domingo, 19 de novembro de 2017

Leandro Gomes de Barros 4

O cavalo que defecava dinheiro

Na cidade de Macaé
Antigamente existia
Um duque velho invejoso
Que nada o satisfazia
Desejava possuir
Todo objeto que via

Esse duque era compadre
De um pobre muito atrasado
Que morava em sua terra
Num rancho todo estragado
Sustentava seus filhinhos
Na vida de alugado.

Se vendo o compadre pobre
Naquela vida privada
Foi trabalhar nos engenhos
Longe da sua morada
Na volta trouxe um cavalo
Que não servia pra nada

Disse o pobre à mulher:
- Como havemos de passar?
O cavalo é magro e velho
Não pode mais trabalhar
Vamos inventar um "quengo"
Pra ver se o querem comprar.

Foi na venda e de lá trouxe
Três moedas de cruzado
Sem dizer nada a ninguém
Para não ser censurado
No fiofó do cavalo
Foi o dinheiro guardado
[...]

Leandro Gomes de Barros 

(Leandro Gomes de Barros nasceu no dia 19 de Novembro de 1865. Morreu em 1918.)

sábado, 19 de novembro de 2016

Leandro Gomes de Barros 3

O fiscal e a lagarta

Estava um dia uma lagarta
Debaixo de um pé de fumo
Quando levantou a vista
Viu um fiscal do consumo.
Disse a lagarta consigo:
Eu hoje me desarrumo. 


O fiscal perguntou logo
Insecto, o que estás roendo?
A lagarta perguntou-lhe
Fiscal, que andas fazendo?
- Aperriando o comércio
Tomando tudo e comendo. 

Disse o fiscal: para imposto
O governo me nomeia
A lagarta respondeu-lhe
Você precisa é cadeia,
Para perder o costume
De andar roubando de meia.

Disse o fiscal: o governo
Não puderá se manter,
Sem procurar o imposto
De quem comprar e vender,
Artista e agricultor
Pagam por justo dever.

Disse a lagarta: o governo
Não podia trabalhar?
Deixar de ser sanguessuga,
O sangue humano chupar.
Ele plante cana e fumo
Se quer beber e fumar!

Bota um pobre uma bodega
Além de vender fiado,
Quando vê bater-lhe à porta
Um dragão engravatado,
Com o bucho muito grande
E o bigode raspado.

Emboca de casa adentro
Vai logo cascaviar,
Não pede ao dono da casa
A licença para entrar.
É igualmente ao cachorro
Entra sem ninguém mandar.

O fiscal disse e você
Acha que faz pouco dano?
Disse a lagarta: eu confesso
Que sou inseto tirano
Porém, só venho uma vez
Você vem muitas no ano.

E há de tratá-lo bem
Com boa dormida e ceia
Se não lhe mostrar carinho
E fizer-lhe cara feira,
O cobre vai para o cofre
E o dono para a cadeia.
 
Leandro Gomes de Barros 

(Leandro Gomes de Barros nasceu no dia 19 de Novembro de 1865. Morreu em 1918.)

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Leandro Gomes de Barros 2

Se eu conversasse com Deus
iria Lhe perguntar:

por que é que sofremos tanto
quando viemos pra cá?...
Que dívida é essa que a gente
tem que morrer pra pagar?

Perguntaria também
como é que Ele é feito,
que não dorme, que não come,
e assim vive satisfeito.
Por que foi que Ele não fez
a gente do mesmo jeito?

Por que existem uns f
elizes
e outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
 

e acabou salgando o pranto?

Leandro Gomes de Barros

(Leandro Gomes de Barros nasceu no dia 19 de Novembro de 1865. Morreu em 1918.)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Leandro Gomes de Barros

Vou narrar agora um fato
Que há cinco séculos se deu
De um grande capitalista
Do continente europeu
Fortuna como aquela
Ainda não apareceu

 
Pedro Cem era o mais rico
Que nasceu em Portugal
Sua fama enchia o mundo
Seu nome andava em geral
Não casou-se com rainha
Por não ter sangue real


Em prédios, dinheiro e bens
Era o mais rico que havia
Nunca deveu a ninguém
Todo mundo lhe devia
Balanço em sua fortuna
Querendo dar não podia


Em cada rua ele tinha
Cem casas para alugar
Tinha cem botes no porto
E cem navios no mar
Cem lanchas e cem barcaças
Tudo isso a navegar


Tinha cem fábricas de vinho
E cem alfaiatarias
Cem depósitos de fazenda
Cem moinhos, cem padarias
E tinha dentro do mar
Cem currais de pescaria


Em cada país do mundo
Possuía cem sobrados
Em cada banco ele tinha
Cem contos depositados
Ocupavam mensalmente
Dezesseis mil empregados


Diz a história onde li
O todo desse passado
Que Pedro Cem nunca deu
Uma esmola a um desgraçado
Não olhava para um pobre
Nem falava com criado

[...]

"A Vida de Pedro Cem", Leandro Gomes de Barros

(Leandro Gomes de Barros nasceu no dia 19 de Novembro de 1865. Morreu em 1918.)