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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

De régua e esquadro

Truque
Se o defesa-esquerdo for uma nódoa, lava-se com vinagre?...

Se eu mandasse ou sequer me perguntassem, comigo era assim: no futebol dos Jogos Olímpicos só valiam golos marcados de canto directo, e nem vou explicar porquê.
Uma vez eu vi um, fui testemunha, um golo olímpico a sério como requerem as devidas certidões, e foi de rir, obra-prima assinada pelo Palmeira, ele e o José Manuel emprestados pelo Braga à nossa AD Fafe, certamente na época de 1971/72, vem-me à cabeça que aquilo pode ter acontecido em Penafiel, mas tenho muitas dúvidas a esse respeito...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. A AD Fafe era de uma só cor: amarelo e preto. Agora, derivado talvez ao negócio, apresenta-se de azul. Parece-me estranho, mas eles é que sabem.)

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Faltou-nos o breakdance

Radical
Era engolidor de espadas e foi proibido de jogar à sueca.

Nasci no Santo Velho, em Fafe. Na minha rua, que era um largo de liberdade e agora é dois cruzamentos com semáforos, saltávamos à corda e a fogueira, jogávamos ao espeto, ao pião, à macaca, ao mamã-dá-licença, ao esconde-esconde, à cabra-cega, às sameiras, ao moche, à coiada e ao tene. Infelizmente não jogávamos ao breaking, senão ainda tínhamos ido aos Jogos Olímpicos, havíeis de ver.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial da Dança.)

quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Zé Cão, boxevista olímpico e invicto

Guardo gratíssimas recordações de São Clemente de Silvares. No Ademar, tasco praticamente gourmet e tão caro quanto excelente, às vezes escusado, com a ramadinha à porta e lá dentro o vinho de categoria a refrescar no poço, eu costumava encontrar o Zé Cão, que tinha trabalhado com o meu pai na Fábrica do Ferro e era o homem mais alto do mundo. Pelo menos era o homem mais alto de Fafe e arredores, e não há mundo melhor do que aquele, isso ainda hoje me parece. O Zé Cão, sentado, os joelhos batiam-lhe nos queixos com a barba por fazer. Era altíssimo, pele e osso, vagaroso, comovido, desengonçado, gentil, decilitrado, só, pobre, criança em corpo descomunal, com uns sapatões de palhaço e sempre agarrado à caneca de verde tinto, que naquelas mãozonas mingava até parecer uma xícara de chá de casinha de brincar. Mãos hirsutas, nodosas e honestas. O Zé Cão era um homem com zê grande.
O Valença, uma das glórias do futebol local, gostava de se meter com o Zé Cão. Na verdade, o Valença gosta de se meter com toda a gente, também se metia com o Landinho, o nosso Menino, mas o que aqui interessa é o Zé Cão. E o Valença, quando o apanhava a jeito, obrigava o Zé Cão a contar vezes sem conta as suas idas ao Porto, ao Royal e ao Derby, velhos cafés de putas na Rua Chã, quase em frente um do outro, e o bom do Zé ia lá para aliviar o tesão a preço combinado, e uma famosa ocasião teve mesmo de se haver com um "boxevista", um "boxevista" a sério, na parte de cima da Ponte de Luís I, ali ao pé, discutindo exactamente por causa das senhoras. E o Zé Cão ganhou. Ganhou, evidentemente, nem podia ser de outra maneira, o Zé Cão era nosso. E a piada a espremer da historieta era tão-só fazer o Zé Cão dizer "boxevista", isto é, "bocsvista" ou "boquessevista". A mando do Valença, o Zé Cão dizia, e tornava ao combate, e fazia os gestos como foi, e disparava ganchos e uppercuts, cruzados e directos, e era um campeão sem sair do seu canto, desajeitado, quase caindo, porém olímpico e ainda invicto, a lutar por merecer mais um quartilho de verde tinto que uma alma caridosa fizesse o favor de lhe pagar...
O Zé Cão lutava um faz-de-conta tão escangalhado e convincente que parecia mesmo que estava no ringue a enfrentar-se ao peso-pesado cubano Teófilo Stevenson, por exemplo, o maior "boxevista" amador de todos os tempos, dando-se o devido desconto ao sentido da palavra "amador" em certos países naquela altura. Stevenson - triplo campeão do mundo e medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Munique 1972, Montreal 1976 e Moscovo 1980 - sempre recusou tornar-se profissional, por opção ou imposição, Havana é que sabe, rejeitando os sucessivos contratos de milhões de dólares com que os EUA lhe iam acenando. Morreu em 2012, infelizmente sem se ter tirado a limpo se ele era de facto melhor do que Muhammad Ali, como alguns puristas defendiam e ainda defendem. Melhor do que o nosso Zé Cão é que de certeza não era!
Lembro-me tão bem. O Zé Cão de São Clemente, o nosso gigante bom, que era dele e só dele que eu vinha falar. E acabo de pensar que nem é nada Zé Cão: para os devidos e legais efeitos, passa doravante a ser Zecão, de Zeca grande, tão grande como o seu imenso coração. E também lhe ponho uma medalha ao peito. Uma medalha europeia, mundial e olímpica. De ouro, pois então, Zecão!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Estes tão inoportunos Jogos Olímpicos

Rui Vitória, treinador da principal equipa de futebol da Benfica SAD, diz, de acordo com o jornal digital Maisfutebol, e em defesa do sagrado descanso dos seus jogadores mais jovens, que os Jogos Olímpicos não vêm no "melhor momento". Realmente. Tem toda a razão o Vitória. Quem foi que se lembrou de marcar uns Jogos Olímpicos assim tão em cima da hora?
Nem de propósito, Jorge Jesus, treinador da principal equipa de futebol da Sporting SAD, também já tinha dito que não deixa William Carvalho ir ao Brasil, porque, lá está, o rapaz farta-se de trabalhar e vai ao Europeu.
Tanto amor à Pátria e tanto respeito pelos portugueses e pelos valores olímpicos enternecem-me. Tanto, que ouso sugerir ao Comité Olímpico de Portugal que, para facilitar a vida a toda a gente, benevolamente proíba a ida aos Jogos de todos os atletas da Benfica SAD e da Sporting SAD, e já agora também da FC Porto SAD, que não tem treinador da principal equipa de futebol para falar nem jogadores que sirvam, mas se tivesse era a mesma merda.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012