Visão do último trem subindo ao céu
[...]
As locomotivas na rotunda
Olhavam para a noite do pátio da noite, imóveis, silenciosas
- Molossos deitados, dóceis, esperando: os olhos apagados os faróis.
Qual seria, seria, qual dentre elas
A que conduziria aquele trem, aquele que era o trem
E o último seria?
Qual delas ouviria a voz do Senhor?
Quando houve um trilo no ar: uma luz brilhou
No ar noturno - carvão do dia -
E uma dentre todas sentiu, de repente,
O alento do calor;
Alento que se estendeu do fogo,
E que lhe veio em sangue ardente,
Em respiração rumorosa de brancos vapores.
Uma dentre elas
Que era preta, violentamente, luzidia;
Que era preta, vagarosamente preta;
Preta e lentamente e luzidia;
Avançando, transpôs o virador;
E foi!
Foi um touro selvagem a princípio
Depois se fez um boi pesado e manso
Correndo as linhas de trilhos: as fitas, os fios, os trilhos de linha.
À sua aproximação as agulhas se abriram -
Porteiras de um curral - furos do espaço, aberturas
Para distâncias possíveis... aberturas, costuras
De rápidas passagens em direções ocultas.
Pouco e pouco, mais pouco, pouco a pouco
Ao trem se atrela, ao trem ligando o engate, os freios
Ajustando... ao trem disposto ao longo
Da plataforma - platimorfa, platibanda, alegrete
Canteiro cultivado - florido de gente.
[...]
"Trivium", Joaquim Cardozo
(Joaquim Cardozo nasceu no dia 26 de Agosto de 1897. Morreu em 1978.)
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quarta-feira, 26 de agosto de 2020
Joaquim Cardozo 4
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Visão do último trem subindo ao céu
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Joaquim Cardozo 3
Aves de rapina
Há muitos anos que os caminhos se arrastavam
Subindo para as montanhas.
Percorriam as florestas perseguindo a distância,
Lentos e longos deslizavam nas planícies.
Passaram chuvas, passaram ventos,
Passaram sombras aladas...
Um dia os aviões surgiram e libertaram a distância,
Os aviões desceram e levaram os caminhos.
"Poemas", Joaquim Cardozo
(Joaquim Cardozo nasceu no dia 26 de Agosto de 1897. Morreu em 1978.)
Há muitos anos que os caminhos se arrastavam
Subindo para as montanhas.
Percorriam as florestas perseguindo a distância,
Lentos e longos deslizavam nas planícies.
Passaram chuvas, passaram ventos,
Passaram sombras aladas...
Um dia os aviões surgiram e libertaram a distância,
Os aviões desceram e levaram os caminhos.
"Poemas", Joaquim Cardozo
(Joaquim Cardozo nasceu no dia 26 de Agosto de 1897. Morreu em 1978.)
domingo, 26 de agosto de 2018
Joaquim Cardozo 2
Poema do amor sem exagero
Eu não te quero aqui por muitos anos
Nem por muitos meses ou semanas,
Nem mesmo desejo que passes no meu leito
As horas extensas de uma noite.
Para que tanto corpo!
Mas ficaria contente se me desses
Por instantes apenas e bastantes
A nudez longínqua e de pérola
do teu corpo de nuvem.
"Poemas", Joaquim Cardozo
(Joaquim Cardozo nasceu no dia 26 de Agosto de 1897. Morreu em 1978.)
Eu não te quero aqui por muitos anos
Nem por muitos meses ou semanas,
Nem mesmo desejo que passes no meu leito
As horas extensas de uma noite.
Para que tanto corpo!
Mas ficaria contente se me desses
Por instantes apenas e bastantes
A nudez longínqua e de pérola
do teu corpo de nuvem.
"Poemas", Joaquim Cardozo
(Joaquim Cardozo nasceu no dia 26 de Agosto de 1897. Morreu em 1978.)
sábado, 26 de agosto de 2017
Joaquim Cardozo
Poema
Eu não quero o teu corpo
Eu não quero a tua alma,
Eu deixarei intato o teu ser a tua pessoa inviolável
Eu quero apenas uma parte neste prazer
A parte que não te pertence
Joaquim Cardozo
(Joaquim Cardozo nasceu no dia 26 de Agosto de 1897. Morreu em 1978.)
Eu não quero o teu corpo
Eu não quero a tua alma,
Eu deixarei intato o teu ser a tua pessoa inviolável
Eu quero apenas uma parte neste prazer
A parte que não te pertence
Joaquim Cardozo
(Joaquim Cardozo nasceu no dia 26 de Agosto de 1897. Morreu em 1978.)
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