| Foto Hernâni Von Doellinger |
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quinta-feira, 15 de novembro de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
De que país é este Governo?
O Governo anunciou hoje o bodo aos pobres: a partir do próximo ano será possível deduzir no IRS cinco por cento do IVA em facturas de alojamento, restauração, oficinas de automóveis e, é claro, cabeleireiros. O semanário Expresso afirma que fez as contas e concluiu que, para atingir o tecto máximo da dedução - 250 euros -, cada contribuinte ou agregado familiar português terá que gastar 2.280 euros por mês em hotéis, salões de chá, cromados para o Rolls-Royce e manicura particular. Se eu tivesse 2.280 euros para gastar todos os meses, diria aos senhores do Governo para enfiarem os cinco por cento de desconto anual pelo cu acima. Como não tenho, mando-os apenas à merda.
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terça-feira, 16 de agosto de 2011
Denuncie aqui
| Foto Hernâni Von Doellinger |
São painéis publicitários devolutos e ladeiam a A28. Painéis grandes, espaçosos, cada um deles dava bem para albergar uma família de casal e três filhos se fosse proibido espirrar. Os painéis dizem, em letras garrafais, ANUNCIE AQUI. Mas eu leio sempre DENUNCIE AQUI.
É a mania que tenho de deixar ir a minha imaginação por onde lhe apetecer. Um interessante jogo a que me entrego sem perigos de maior, uma vez que o volante não está nas minhas mãos: não tenho carta, não sei conduzir, portanto não conduzo, mesmo sabendo que, para a maioria dos automobilistas, uma coisa não implica necessariamente a outra.
Mas onde é que eu ia? Ah!, nos painéis, os enormes painéis publicitários e vagos que eu imagino mandados colocar pelo Governo dando-nos a ordem expressa de que nos transformemos numa sociedade de delatores. DENUNCIE AQUI! E imagino o trânsito parado na A28, com quilómetros e quilómetros de filas de gente a guardar vez para chegar ao painel mais próximo e poder enfim oficializar a sua denúncia. A denúncia há muito trazida atravessada na garganta.
E imagino as denúncias e os denunciados. Imagino a denúncia escrita contra o vizinho de cima que arrasta móveis de noite, contra o preço de uma garrafa de vinho, contra o desgraçado que recebe subsídio de desemprego e ainda tem que fazer uns biscates para poder dar de comer aos filhos, contra o marido que bate na mulher, contra a mulher que bate no marido, contra o filho que bate no pai e na mãe que batem um no outro, contra o beijo do casal homossexual, contra os beijos, contra os que estão contra os beijos, contra os espanhóis que passam pelas portagens e não pagam, contra os governantes que fecham os olhos, contra os espanhóis que nos cobram portagens, contra a velhota sem reforma que roubou duas maçãs no supermercado, contra os pretos, contra os brancos, contra o trabalhador que já não aguentava a perseguição de que era vítima no emprego e meteu uma falsa baixa antes que endoudasse de vez, contra a Galp que só faz de conta que baixa o preço da gasolina, contra o árbitro do jogo do Sporting, contra os que estão contra o árbitro do jogo do Sporting, contra a merda do acordo ortográfico, contra a fome e a guerra no mundo (foi uma misse), contra o roubo no IVA da electricidade, contra o colega de trabalho que é do PS, contra o colega de trabalho que é do PSD, contra os partidos, contra os inteiros, contra os canhões...
Imagino que o que o Governo quer é pôr-se a salvo dos rancores, dos ódios, dos desencantos, da frustração, da inveja, da mesquinhez, da intolerância, da desesperança, da impaciência, da ira e da revolta dos portugueses, fornecendo papel e lápis e canalizando para o muro das lamentações da A28 este extremar dos sentimentos populares, inevitavelmente exacerbados em tempos de costas ao alto e bolsos vazios.
E imagino o Governo, pela calada da noite, a aparecer em biquinhos de pés por detrás dos painéis, a lançar a escada e a retirar, sem ler, a enorme folha completamente preenchida de denúncias, a rasgá-la em tirinhas, a queimá-la num instante e a colocar uma nova folha para o dia seguinte.
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