Olhos misteriosos
Enigma vivo! esfinge indecifrável!
Quem poderá, acaso, desvendar
Os arcanos que existem no insondável
Fundo daquele olhar?!...
Olhar que lembra o fogo-fátuo, errante,
De cova em cova, rápido, a fugir;
Olhar de aço - ora morto, ora brilhante,
Esquisito, a fulgir...
Olhar imenso, olhar caliginoso,
Do infinito espelhando a vastidão,
Que terrível segredo misterioso
Reflete o teu clarão?
Olhar que fala... Mas que língua estranha,
Que idioma de bárbaro país,
Falam tais olhos, cuja luz me banha,
Fazendo-me infeliz?!...
Que paisagem fantástica de sonho
Esse olhar nebuloso reproduz
- Luar triste, deserto, ermo, tristonho,
Sem trevas e sem luz;
Onde uma cor funérea, indefinida,
(Uma cor, que não é bem uma cor)
Paira como uma luz amortecida,
Um lívido palor?
Enigma vivo! esfinge indecifrável!
Quem poderá, acaso, desvendar
Os arcanos que existem no insondável
Fundo daquele olhar?
Olhar trevoso, olhar que nos aponta
Incognoscível região do além:
Quem é que sabe o que esse olhar nos conta?!
Ninguém!... ninguém!... ninguém!...
Figueiredo Pimentel
(Figueiredo Pimentel nasceu no dia 11 de Outubro de 1869. Morreu em 1914.)
Mostrar mensagens com a etiqueta Figueiredo Pimentel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Figueiredo Pimentel. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
terça-feira, 11 de outubro de 2016
Figueiredo Pimentel
Desânimo
Já nada tenho do que outrora tive,
e noutros tempos muita coisa eu tinha:
minh'alma agora em desespero vive,
vivendo sem viver, triste e sozinha.
Muito sorri e muita dor contive,
para que o mundo vil não visse a minha
grande e profunda mágoa. E assim estive,
a viver uma vida bem mesquinha.
Tudo perdi. Na noite do passado
apagou-se o fanal que me guiava,
no céu do meu viver a fulgurar.
Agora, velho, trôpego, cansado,
espero, mas em vão, que d'alma escrava,
venha a morte os grilhões despedaçar.
(Figueiredo Pimentel nasceu no dia 11 de Outubro de 1869. Morreu em 1914.)
Já nada tenho do que outrora tive,
e noutros tempos muita coisa eu tinha:
minh'alma agora em desespero vive,
vivendo sem viver, triste e sozinha.
Muito sorri e muita dor contive,
para que o mundo vil não visse a minha
grande e profunda mágoa. E assim estive,
a viver uma vida bem mesquinha.
Tudo perdi. Na noite do passado
apagou-se o fanal que me guiava,
no céu do meu viver a fulgurar.
Agora, velho, trôpego, cansado,
espero, mas em vão, que d'alma escrava,
venha a morte os grilhões despedaçar.
"Livro Mau", Figueiredo Pimentel
Subscrever:
Mensagens (Atom)