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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Os bois chamam-se pelos nomes

O porco é Ruço. A porca Vadia. A vaca Amarela. O boi Barrão. O touro Osborne. A turina Malhada. A vitela À Moda de Fafe. O cão Bobi. O elefante Branco. A cadela Laika. A Santa preguiça. O cachorro Kent. O gato Maltês. A gata Borralheira. A cabra Cega. A ovelha Dolly. O cabrito Montês. O cavalo Silva. O burro Velho. O rato Mique. O coelho Anão. O macaco Adriano. O leopardo Negro. O urso Teddy. O teddy Boy. A chinchila Mila. O furão Furão. A tartaruga Ninja. A cobra Dora. A mulher Alheia. O homem Erecto. O peixe Dourado. O surfista Prateado. A sardinha Biba. A pita Arisca. A periquita Alegre. A parreca Molhada. A pomba Branca. O crocodilo Dundee. A lontra Badocha. O pato Patola. O galo Badalo, a galinha Balbina, o pinto Jacinto e o peru Gluglu.
Assim se chamam os bois pelos nomes.

P.S. - Hoje é Dia do Animal de Estimação. E Dia Mundial da Justiça Social.

E as pessoas de estimação?

"Portugueses já gastam mais com cães do que com bebés", dizia uma vez a capa do semanário Expresso. Acontece no tempo e no país certos. Um tempo e um país em que os animais são de estimação, mas as pessoas não.

P.S. - Hoje é Dia do Animal de Estimação. E também Dia Mundial da Justiça Social.

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

Quem me dera ser cão

Três mulheres à mesa na pequena esplanada da confeitaria famosa, gozando uma falsa fresca de fim de tarde neste Verão um bocado tolo. São jovens, alegres, morenas, as mulheres, e têm um cão. Um cão pequeno, rechonchudo, de focinho amarrotado, caricatura de um velho boxista na reforma. Será talvez um pug. Leio na Wikipédia que o pug tem "personalidade", que é "encantador, brincalhão, astuto, sociável, arteiro, dócil, afectuoso, teimoso, amoroso, atento, tranquilo, calmo". Pois. Será. O estupor do cão, o sortudo do cão, passeia-se irrequieto de colo em colo, de mama em mama, esfregando-se ao comprido na brancura sedosa de seis seios quase ao léu, lambendo, lambendo e mais não sei quê, e as mordomas ali na rua sem pudores, crescentemente excitadas, vermelhas, aos gritinhos, aos saltinhos, num fuzuê que só visto.
Ora bem. Foi na parte do mais não sei quê - e digo mais não sei quê porque realmente não faço ideia, o assunto interessou-me sobremaneira, eu estava ali concentradíssimo como o Futre, invejoso, confesso, mas não consegui perceber o que se passava até às últimas consequências -, portanto, foi na parte do mais não sei quê que a mulher menos jovem, com evidente cara de dona, largou os suspiros, ganhou fôlego, esganiçou ainda mais a voz e disse ao cão, imperativa: - Frederico! Não! Não! Não! Mamãe já falou! Isso não, Frederico!
Fiquei fodido! Não tanto por causa da indivídua chamar Frederico ao cão. Também chamo Frederico ao meu filho Kiko e isso nunca me incomodou, antes pelo contrário, até porque é o nome dele. O que me confundiu foi aquilo de ela ser mãe do cão. Estou velho para estas merdas. Fico baralhado com estas modernices sorrateiramente edipianas mas ao contrário. Não consigo acompanhar estes tempos malucos em que a nova ordem parece ser tratar os animais como pessoas, como filhos, e tratar as pessoas como animais. Como animais que não são tratados como pessoas. Como pessoas que não são de estimação. Não percebo. Estou definitivamente fora de prazo. E fiquei fodido!

Quer-se dizer. Hoje é Dia do Cão e, assinalando a efeméride, o Kiko e a Sara vão de férias e deixaram-nos o Amendoim. O Amendoim é o cão deles, porque eles gostam muito de animais. Já eu e os cães é uma desgraça, estou farto de dizer, e é preciso ser-se um bocado maricas para chamar Amendoim a um cão. Aliás, eu sempre defendi que lhe chamassem Evaristo, mas o Kiko e a Sara ninguém me liga, e ainda por cima o caralho do cão, guicho como tudo, gosta de mim e eu também me perco por ele, não desfazendo, acho-lhe um piadão, por isso chamo-lhe Toni ou Carlitos, consoante. Ficámos igualmente com o Lambiscas e com o Bully, os gatos deles, como de costume. Portanto estou como quero. E, sinceramente, espero que o Kiko e a Sara também.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

Deixai vir a mim os animaizinhos!

Era uma vez um cão
Havia um cão que tinha um dono muito bem mandado: obediente, brincalhão, carinhoso, esperto. Só lhe faltava ladrar...

Os bois chamam-se pelos nomes
O porco é Ruço. A porca Vadia. A vaca Amarela. O boi Bonito. O touro Osborne. A turina Malhada. O cão Bobi. A cadela Cadela. O cachorro Kent. O gato Pantufas. A gata Gostosa. A cabra Cega. A ovelha Dolly. O cabrito Montês. O cavalo Silva. O burro Velho. O rato Mique. O coelho Branco. O leopardo Negro. A chinchila Mila. O furão Furão. A tartaruga Ninja. A mulher Alheia. O homem Erecto. O peixe Dourado. O surfista Prateado. A sardinha Biba. A pita Arisca. A periquita Alegre. O pombo Armando. O crocodilo Lontra. A lontra Pilantra. O pato Patola. O galo Badalo, a galinha Balbina, o pinto Jacinto e o peru Gluglu.
Assim se chamam os bois pelos nomes.

Macaquinhos no sótão
Tinha macaquinhos no sótão. Denunciado pela vizinha, foi detido e preso. Os animais seguiram para o jardim zoológico.

Cataminha, catatua, catadela
- É uma catatua esse pássaro tão vistoso que trazes ao ombro?...
- É, é: uma cataminha.

A realização do homem no século XXI
Adoptar um cão, comprar um bonsai e escrever no Facebook e similares. 

 
Troco neto por um cão (pago a diferença)
Três rapazes nos arrabaldes dos sessenta anos bem servidos, certamente amigos de longa data, gente bem, meninos da Foz no seu tempo, fazem o costumeiro passeio higiénico matinal na avenida à beira-mar. O da esquerda empurra um carrinho de bebé com uma vaidade que só vista, e é bonita de se ver. Os outros dois vão à rasca até às orelhas, envergonhadíssimos com "a situação", evitam ser reconhecidos por quem passa, como por exemplo eu, que não os conheço de lado nenhum, mais desconforto era impossível. O da direita puxa o do meio pela manga e diz-lhe, tapando a boca com a mão, como fazem agora os treinadores e jogadores de futebol quando querem falar da mãe de alguém e sabem que há câmara de televisão por perto: - Se inda ao menos fosse um cão, um canito! Agora o caralho do neto...
Não é metáfora política. É a vida.

 
O amigo da onça
O defeito dele não era ser amigo da onça. Era amigo da onça, da leoa, da pantera, da gazela, da girafa, da égua, da vaca, da macaca, da galinha, da pata, da avestruz, da gata, da cadela e das ratas em geral. Havia quem o incensasse como paradigma da amizade aos animais. A mulher chamava-lhe galdério, tarado.  

O amigo dos animais
Etelvino Ferraz da Cunha gosta muito de animais. Coelhos, perdizes, tordos e sobretudo toiros. E só lamenta que em Portugal não sejam de morte.

Meia dose de xenofobia
A chinesinha descia a rua em direcção à praia, e levava o cãozito pela trela. Achei aquilo tão esquisito. Como se eu levasse a passear um frango de churrasco.

Quem me dera ser cão
"Portugueses já gastam mais com cães do que com bebés", dizia uma vez a capa do semanário Expresso. Acontece no país certo.

P.S. - Hoje, 20 de Fevereiro, é Dia Mundial do Animal de Estimação. É também Dia Mundial da Justiça Social, mas isto que não saia daqui.