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sábado, 2 de dezembro de 2023

Fafe não liga à família?

Onze municípios do Minho são amigos da família. Eu não sei o que é que isso quer dizer, mas Fafe, a minha terra, não consta dessa lista, o que pode significar, logo à cabeça, que o município de Fafe não é amigo da família. De acordo com o jornal O Minho, de onde recolho esta informação, Amares, Arcos de Valdevez, Barcelos, Braga, Cabeceiras de Basto, Monção, Póvoa de Lanhoso, Vieira do Minho, Famalicão, Ponte da Barca e Valença tiveram direito este ano à "bandeira verde", atribuída pelo Observatório das Autarquias Familiarmente Responsáveis, e Fafe não, o que, por exclusão de partes, parece indiciar que a autarquia fafense não é familiarmente responsável.
Este ano, no total, foram distinguidos 108 municípios por todo o país, mais 13 do que no ano passado, e nem assim Fafe lá chegou. Insisto: eu não sei o que é que isto quer dizer, limito-me a ser eco da notícia, eventualmente omissa na quase sempre faustosa comunicação municipal.

(Publicado originalmente no meu blogue Fafismos)

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Matosinhos afoga-se em saralhotos de cão

Matosinhos à tarde. Sol que era um consolo. O casal descia a rua, a minha, em direcção ao mar, puxado pela trela do pequeno cocker. Eis senão quando, porventura desarranjado pelo strogonoff de vitela e leite-creme que lhe serviram ao almoço, o aflito canídeo arriou as calças e cagou ali mesmo em pleno passeio, com evidente alívio pessoal e grande satisfação dos babados papás. Acabada a obra, a madama, higiene e civismo acima de tudo, foi à carteira e retirou um lenço de papel de um branco imaculado, abriu-o, ao lenço casto, e voltou a dobrá-lo, liturgicamente, agora apenas em dois, baixou-se, quase que me pareceu que se benzia, e... limpou o cu ao cão. Depois amarrotou o papel e lançou-o para junto do saralhoto. No meio do passeio. Do meu. E lá seguiram os três para o mar e para o sol, dois deles puxados pela trela.
A autarquia agradece. Faz colecção. No brasão de Lisboa figuram corvos, no de Matosinhos deveriam desenhar saralhotos. A cidade de Matosinhos, para além das muitas outras coisas muito boas, é isto: não há passeios que cheguem para tanta merda de cão. E não é só Matosinhos, embora Matosinhos abuse. E a culpa não é do cão.

Volto ao enternecedor quadro urbano que pincelei o melhor que pude e soube no longínquo Outubro de 2011, então sob o acutilante título "Matosinhos, sol e saralhotos". E volto, uma década depois e por esta mesma altura do ano, porque a situação piorou drasticamente, está que não se pode. É merda por todos os lados, se me dão licença, e há quem se convença que são ornamentações de Natal. Não são! São mesmo saralhotos de cão, cada vez mais e cada vez maiores, saralhotos nojentos que tomaram conta dos passeios e das ruas, já não se pode pôr pé fora de casa. A coisa alcançou proporções dramáticas. Dantescas. Apocalípticas. É caso de calamidade pública, já vem tarde o alerta vermelho de colapso iminente. É o fim do mundo, pelo menos em Matosinhos, e eu nunca pensei que o fim do mundo fosse este monte de merda.
Muitos temem que Matosinhos desapareça do mapa, num futuro mais ou menos próximo, derivado ao aquecimento global, ao degelo e à subida do nível das águas do mar. Néscios! O fim, o afogamento de Matosinhos é agora, está a ser, submersa a cidade num irreprimível turbilhão de saralhotos de cão. E - insisto - a culpa não é do cão.

P.S. - Hoje, 30 de Novembro, é Dia Internacional da Cidade Educadora. É também Dia das Cidades pela Vida, isto é, das cidades contra a pena de morte.