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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Alexandre Vargas 3

Primeira oração a Cyborg

Senhor já vos chamei e novamente
as vossas luzes nas colunas e o povo
que não fala pelas ruas deambula,
com a boca entreaberta, os braços fixos
no trajecto-paraíso sem igual
descreve a longa via engenhosa que percorre o seu caudal.


Mas vós, Cyborg, tão alto estais exposto
aos ventos que a vosso encontro se encaminham
que a cidade agonizante toda une os seus esforços
e canta sibilante a melodia
dos vossos templos de quiosques enfeitados,
entre as cascatas o som puro dos seus passos.


Sim, tu Cyborg, és tudo o que desejo
e estou na treva observando o teu fulgor,
serás apenas a miragem ou o grito
que de noite atormenta o meu furor,
desta loucura agora todo eu me quero entranhar
até em parte alguma jamais de novo poder estar.


"Cyborg", Alexandre Vargas

(Alexandre Vargas nasceu no dia 31 de Dezembro de 1952. Morreu em 2018.)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Alexandre Vargas 2

Nas mãos sinto a luz

Nas mãos sinto a luz, a êxul luz
que vem das paliçadas da mansão,
a luz azul em clarificada zona então
aproxima de mim o seu facho de horizonte.

E logo eu a lembrar o querido monte
em que pousada estava sobracente a ramaria,
e logo eu então a pedir à maresia
que nos brilhos unos do futuro aproximasse

esse rumor de aves onde os raios enfeitasse
e eu oco no caminho que me guia
contivesse as minhas mágoas do passado,

e surgisse ali a minha alma em fogo-fátuo
estivesse eu em toda a dimensão do brusco
a nascer das folhas com a boca em luz arado.

"Cyborg", Alexandre Vargas

(Alexandre Vargas nasceu no dia 31 de Dezembro de 1952. Morreu em 2018.)