Autocrítica
Senhor! nunca me vi nem conheci
Dentro do negro abismo onde se esconde
O meu segredo humano, nem sei onde
Começa e acaba o que provém de ti!
Sei que errei o caminho e me perdi!
Agora, embora chame e grite e sonde,
No meu longo deserto só responde,
Ao longe, a voz do mar que nunca vi.
Em vão chamo por mim, em vão procuro
A luz que me pertence e que cintila
No fundo inquieto deste abismo escuro.
- Fio de água sumido nas areias -,
Vejo estátuas dramáticas de argila
Com dedadas fatais de mãos alheias!
"Poemas de Sempre", Campos de Figueiredo
(Campos de Figueiredo nasceu no dia 6 de Maio de 1899. Morreu em 1965.)
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sábado, 6 de maio de 2017
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Campos de Figueiredo 2
O milagre das rosas
Trazia oiro aos pobres… dava estrelas
Que no jardim azul do céu colhera,
Mas quando El-Rei Dinis desejou vê-las,
Floriu no seu regaço a Primavera.
- "Vede, são rosas brancas, fui colhê-las
Para os gafos, Senhor! Julgáveis que era
Dinheiro em vez de flores? A Deus prouvera
Que em oiro e pão pudesse convertê-las!"
Repete-se o milagre, eternamente:
Caem do céu, às horas do poente,
Rosas de oiro, vermelhas, a sangrar…
E, à noite, é Ela sempre que, na treva,
sobre a linda cidade medieva,
desfolha rosas brancas, ao luar!
"Poemas do Instante e do Eterno", Campos de Figueiredo
(Campos de Figueiredo nasceu no dia 6 de Maio de 1899. Morreu em 1965.)
Trazia oiro aos pobres… dava estrelas
Que no jardim azul do céu colhera,
Mas quando El-Rei Dinis desejou vê-las,
Floriu no seu regaço a Primavera.
- "Vede, são rosas brancas, fui colhê-las
Para os gafos, Senhor! Julgáveis que era
Dinheiro em vez de flores? A Deus prouvera
Que em oiro e pão pudesse convertê-las!"
Repete-se o milagre, eternamente:
Caem do céu, às horas do poente,
Rosas de oiro, vermelhas, a sangrar…
E, à noite, é Ela sempre que, na treva,
sobre a linda cidade medieva,
desfolha rosas brancas, ao luar!
"Poemas do Instante e do Eterno", Campos de Figueiredo
(Campos de Figueiredo nasceu no dia 6 de Maio de 1899. Morreu em 1965.)
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quarta-feira, 6 de maio de 2015
Campos de Figueiredo
Momento lírico
Dá-me as tuas mãos, e vamos,
Calados, pela estrada,
Sob a bênção dos ramos
E as flores da madrugada.
Onde houver uma fonte,
Paremos a beber
As águas de outra fonte
Ainda por nascer.
Onde houver um jardim,
Entremos, de mãos juntas,
Mas às rosas e aos lírios
Não façamos perguntas.
Ouçamos os perfumes,
No zumbir das abelhas,
E colhamos apenas
Duas rosas vermelhas...
E guardemos as rosas,
Só para desfolhar
Nas mãos das madrugada
Que o céu poisa no mar.
Campos de Figueiredo
(Campos de Figueiredo nasceu no dia 6 de Maio de 1899. Morreu em 1965.)
Dá-me as tuas mãos, e vamos,
Calados, pela estrada,
Sob a bênção dos ramos
E as flores da madrugada.
Onde houver uma fonte,
Paremos a beber
As águas de outra fonte
Ainda por nascer.
Onde houver um jardim,
Entremos, de mãos juntas,
Mas às rosas e aos lírios
Não façamos perguntas.
Ouçamos os perfumes,
No zumbir das abelhas,
E colhamos apenas
Duas rosas vermelhas...
E guardemos as rosas,
Só para desfolhar
Nas mãos das madrugada
Que o céu poisa no mar.
Campos de Figueiredo
(Campos de Figueiredo nasceu no dia 6 de Maio de 1899. Morreu em 1965.)
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