Amor
Por teu ventre começa a minha vida,
Por teus olhos a estrela que me guia.
Amor, que Deus te salve! - Ave-Maria
Cheia de Graça ó Bem-Aparecida.
Por meu e por teu verbo de harmonia
Se fará eterna origem comovida
De outros frutos de Amor! - Ave-Maria,
Senhora da minh'alma apetecida.
E meu sangue amoroso e produtivo
Se fará carne e espírito fecundo
À tua imagem noutro corpo vivo.
E assim ambos, Amor, iremos ser
Seio da vida originando o mundo
Por teu ventre bendito de Mulher.
"Ritual do Amor", Afonso Duarte
(Afonso Duarte nasceu no dia 1 de Janeiro de 1884. Morreu em 1958.
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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
domingo, 1 de janeiro de 2017
Afonso Duarte 3
Vitral
Franzina, é como um choupo à luz da Lua;
É a noite escura o seu olhar de mágoa.
Uma ogiva os seus braços quando amua,
modelo foi dos cantarinhos de água.
É a noite escura o seu olhar de mágoa.
Uma ogiva os seus braços quando amua,
modelo foi dos cantarinhos de água.
oh, que linda menina casadoira!
São os seios da virgem donzelinha,
dois novelos saltando à dobadoira.
Seus lábios, duas pétalas de rosa;
abrem as rosas como a boca enlaça…
Em beijo a boca é uma flor ciosa.
Num lago a Lua: o seu andar embala;
são suas mãos às que eu imploro a graça,
seu corpo esguio, uma ânfora com fala.
Afonso Duarte
(Afonso Duarte nasceu no dia 1 de Janeiro de 1884. Morreu em 1958.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
Afonso Duarte 2
Canção do nu
Lindo
Mármore precioso que na alcova
Surpreendi dormindo!
E lindo
À luz dum fósforo, acendido a medo,
Despertou sorrindo.
E, lindo,
Dos olhos as meninas me saltaram
Para o nu que se estava descobrindo.
Linda!
Ficou-se ao desgasalho adormecida,
Ai vida,
Como ainda não vi coisa tão linda.
Linda,
Braços abertos em desnudo amplexo,
Seu corpo era uma púbere mendiga,
E ele é que estava pedindo,
Lindo,
O meu sexo.
"Os 7 Poemas Líricos", Afonso Duarte
(Afonso Duarte nasceu no dia 1 de Janeiro de 1884. Morreu em 1958.)
Lindo
Mármore precioso que na alcova
Surpreendi dormindo!
E lindo
À luz dum fósforo, acendido a medo,
Despertou sorrindo.
E, lindo,
Dos olhos as meninas me saltaram
Para o nu que se estava descobrindo.
Linda!
Ficou-se ao desgasalho adormecida,
Ai vida,
Como ainda não vi coisa tão linda.
Linda,
Braços abertos em desnudo amplexo,
Seu corpo era uma púbere mendiga,
E ele é que estava pedindo,
Lindo,
O meu sexo.
"Os 7 Poemas Líricos", Afonso Duarte
(Afonso Duarte nasceu no dia 1 de Janeiro de 1884. Morreu em 1958.)
quinta-feira, 1 de janeiro de 2015
Afonso Duarte
Rosas e cantigas
Eu hei-de despedir-me desta lida,
Rosas? - Árvores! hei-de abrir-vos covas
E deixar-vos ainda quando novas?
Eu posso lá morrer, terra florida!
A palavra de adeus é a mais sentida
Deste meu coração cheio de trovas...
Só bens me dê o céu! eu tenho provas
Que não há bem que pague o desta vida.
E os cravos, manjerico, e limonete,
Oh! que perfume dão às raparigas!
Que lindos são nos seios do corpete!
Como és, nuvem dos céus, água do mar,
Flores que eu trato, rosas e cantigas,
Cá, do outro mundo, me fareis voltar.
Afonso Duarte
(Afonso Duarte nasceu no dia 1 de Janeiro de 1884. Morreu em 1958.)
Eu hei-de despedir-me desta lida,
Rosas? - Árvores! hei-de abrir-vos covas
E deixar-vos ainda quando novas?
Eu posso lá morrer, terra florida!
A palavra de adeus é a mais sentida
Deste meu coração cheio de trovas...
Só bens me dê o céu! eu tenho provas
Que não há bem que pague o desta vida.
E os cravos, manjerico, e limonete,
Oh! que perfume dão às raparigas!
Que lindos são nos seios do corpete!
Como és, nuvem dos céus, água do mar,
Flores que eu trato, rosas e cantigas,
Cá, do outro mundo, me fareis voltar.
Afonso Duarte
(Afonso Duarte nasceu no dia 1 de Janeiro de 1884. Morreu em 1958.)
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