quarta-feira, 2 de abril de 2025

A Esquiça e a efeméride

Efeméride. Quer dizer: acontecimento ou facto importante que ocorreu em determinada data. Ou por outra: celebração de um acontecimento ou de uma data importante. A agência de notícias Lusa, a maior em língua portuguesa, disponibiliza diariamente no seu serviço uma lista dos "principais acontecimentos registados", desde sempre, no dia em questão, em Portugal e no mundo inteiro. Acontecimentos tipo a descoberta da pólvora, a invenção da roda, o início da I Guerra Mundial, a chegada do homem à Lua, o 25 de Abril ou a queda do Muro de Berlim. Os jornais replicam mais ou menos esta lista, consoante o espaço disponível e a respectiva "orientação editorial", há quem lhe chama assim.
Ora bem. Andava eu, ontem, à procura das "Efemérides Lusa" para hoje, 2 de Abril, quando, por engano na busca, coisas da idade, dou de caras, no jornal Sol, com as "Efemérides de 2 de Março" de 2021. E para esse dia, no ano de 2017, o Sol aponta, resplandecente: "A taberna do pai de Jorge Ferreira, árbitro que tinha apitado o Estoril-Benfica, foi vandalizada há 4 anos, durante a noite."
Caramba! Fafe nas "Efemérides"! Eu não fazia ideia da importância para a Humanidade da ocorrência em questão, mas talvez mereça. Merece certamente. Não, de caras, no que diz respeito à façanha pífia da claque antiportista Super Dragões, mas, por outro lado, quanto à Esquiça instituição, a taberna do pai do filho, ela, sim, um acontecimento digno de registo, sobretudo derivado às tripinhas e à vitela, que já lá não vou há que tempos, caseiras, honestas e acessíveis, merecedoras realmente de figurarem nos anais da História. E, até à próxima, daqui vai um abraço para o Armindo!

P.S. - Publicado originalmente no meu blogue Fafismos.

Manicómicos

Foto Hernâni Von Doellinger

Por falar nisso. O Hospital Júlio de Matos, em Lisboa, foi inaugurado no dia 2 de Abril de 1942. Ali estava, segundo a imprensa da época, um "manicómio", um lugar para "assistência a alienados", um "pavilhão para loucos", um sítio "esplêndido" e "simpático". E ainda bem. A imprensa da época vai entretanto ser corrigida com termos mais mansos, porque há coisas que hoje em dia realmente não se dizem. Nomeadamente "assistência", "pavilhão", "esplêndido" e sobretudo "simpático", que é uma palavra filha da mãe. Uma palavra, numa palavra, manifestamente suspeita e aliás indecente, direi até cancelável.

Branca e radiante

Branca de Neve brincava às casinhas com a casa dos sete anões. Com os anões ela brincava aos médicos. Mas não sei se hoje em dia isto se pode dizer.

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Livro Infantil.

Esteja à vontade...

Foto Hernâni Von Doellinger

terça-feira, 1 de abril de 2025

segunda-feira, 31 de março de 2025

Que se foda!...

Estais a ver esses maratonistas bissextos mas cheios de intenção que treinam aos domingos de manhã artilhados com todos os matadores, como por exemplo aquele cinto tipo canivete suíço onde acomodam boiãozinhos de várias cores e feitios, barras energéticas, bananas, ananases, sandes de marmelada com tulicreme, tremoços, caldo de nabos, as chaves de casa, do carro, do totobola e do euromilhões? Estais a ver? Pois era um desses com um daqueles.
O homenzarrão de calções de licra pelo joelho passou por mim no meu Passeio Atlântico, em Matosinhos, e naquele exacto momento despencou-se-lhe do extraordinário cinto multifunções um dos tais frasquinhos de plástico. Aos meus pés. Era novo e estava cheio. Eu, que só quero ajudar, gritei "Olhe, caiu-lhe um boião!", vergando-me para apanhar a garrafinha e levá-la ao dono, e bem me custou. O superatleta, talvez apenas cinco metros à minha frente, ouviu-me, sempre correndo, virou levemente a cabeça e sobretudo o braço direito num gesto redondo e grande, creio que metendo-nos no mesmo saco a mim e ao vasilhame perdido, para tonitruar, desportista até mais não:
- Que se foda!...
E continuou, a mil à hora, em busca do novo "recor".