segunda-feira, 26 de junho de 2017

Luís Edmundo

Risum teneatis
 
Teus olhos claros me disseram,
Como se fossem tua voz:
Ama-me... Os olhos também falam;
E quando os nossos lábios calam
O gesto e o olhar falam por nós.
Quando os teus dedos se encontraram
Nos dedos meus cheios de ardor,
Tua alma cálida fremia;
A tua mão nervosa e fria
Disse-me todo o teu amor.
Sorrias tu como uma estátua;
Lívida e cheia de emoção
Tu não falaste... a boca mente,
Tu foste minha inteiramente,
Foi meu teu virgem coração.
Passou no entanto aquele dia
Em que com febre e embriaguez
As nossas almas amorosas
Se uniram, trêmulas, ansiosas,
Pela primeira e última vez!
A boca mente... tu falaste...
Sem pressentir a minha dor...
Tu me negaste o amor ardente
Que em ti vibrava... a boca mente...
E tu mentiste, meu amor!

"Poesias", Luís Edmundo

(Luís Edmundo nasceu no dia 26 de Junho de 1878. Morreu em 1961.)

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