segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

José Fernandes Fafe (1927-2017)

Testamento, entre os pinheiros e o mar

Se eu morrer primeiro do que tu,
salva a ternura que salvei.
Depois, se te doer, firma o olhar
nas ondas mais longínquas do mar largo,
destrói a dor nas lágrimas, e o vento
que te esvoace a saia e o cabelo,
pinheiro firme, cego dos sentidos,
entre a flores silvestres e a espuma...


E o indício de tudo ser pasasado
(eu, um tempo feliz que se recorda)
é sentires o longo, íntimo afago

do marulho do mar, mão pelos cabelos...

José Fernandes Fafe

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