| Foto Hernâni Von Doellinger |
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Troco neto por um cão (pago a diferença)
Três rapazes nos arrabaldes dos sessenta anos bem servidos, certamente
amigos de longa data, gente bem, meninos da Foz no seu tempo, fazem o
costumeiro passeio higiénico matinal na avenida à beira-mar. O da
esquerda empurra um carrinho de bebé com uma vaidade que só vista, e é
bonita de se ver. Os outros dois vão à rasca até às orelhas,
envergonhadíssimos com "a situação", evitam ser reconhecidos por quem
passa, como eu, que não os conheço de lado nenhum, mais desconforto era
impossível. O da direita puxa o do meio pela manga e diz-lhe, tapando a
boca com a mão, como fazem agora os treinadores e jogadores de futebol
quando querem falar da mãe de alguém: - Se inda ao menos fosse um cão,
um cãozinho! Agora o caralho do neto...
P.S. - Não é metáfora política. É a vida.
(Texto escrito originalmente do dia 3 de Junho de 2016. Repito-o por causa de uma entrevista do DN de hoje.)
P.S. - Não é metáfora política. É a vida.
(Texto escrito originalmente do dia 3 de Junho de 2016. Repito-o por causa de uma entrevista do DN de hoje.)
Quando se tem queda para a queda, tem-se
Quitério, fazendo jus ao extraordinário azar que lhe é apanágio, caiu e partiu o braço em dois sítios: mais precisamente em Mirandela, há coisa de dez anos, e no Sabugal, fará amanhã quinze dias.
domingo, 25 de setembro de 2016
Daniel Pernas Nieto 2
Afirmación
N-o teu colo, ruliña mimosa,
tí que pasas bicándome a testa,
n-o teu colo quixera morrer,
ouh musa gallega.
Non cobizo d’as grorias a palma
nin adoito subir para véla,
si escabardo pra lonxe, Galicia,
teu nome m’alenta.
Anque os tempos trocándose van,
anque os campos sin brazos se vexan,
n-o peito gardarán os teus fillos
lembranzas d’o Celta.
Dos caciques malditos que sorben,
- esfamiados - o sangue das venas,
xa borralla farán os labregos
que sofren e penan.
Os encantos d’a nov’alborada
que remansa camiño d’aldea...
laparada que xurde n-os eidos,
Galicia, desperta.
"Fala das Musas e Outros Poemas", Daniel Pernas Nieto
(Daniel Pernas Nieto nasceu no dia 25 de Setembro de 1884. Morreu em 1946.)
N-o teu colo, ruliña mimosa,
tí que pasas bicándome a testa,
n-o teu colo quixera morrer,
ouh musa gallega.
Non cobizo d’as grorias a palma
nin adoito subir para véla,
si escabardo pra lonxe, Galicia,
teu nome m’alenta.
Anque os tempos trocándose van,
anque os campos sin brazos se vexan,
n-o peito gardarán os teus fillos
lembranzas d’o Celta.
Dos caciques malditos que sorben,
- esfamiados - o sangue das venas,
xa borralla farán os labregos
que sofren e penan.
Os encantos d’a nov’alborada
que remansa camiño d’aldea...
laparada que xurde n-os eidos,
Galicia, desperta.
"Fala das Musas e Outros Poemas", Daniel Pernas Nieto
(Daniel Pernas Nieto nasceu no dia 25 de Setembro de 1884. Morreu em 1946.)
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