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segunda-feira, 6 de julho de 2020
A vida às vezes
Vivia incógnito num par de sapatos emprestados. Dera a gravata única e excessiva a um desconhecido, que se enforcou.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Não sei se ria, não sei se chore*
Este Governo é um bocado serôdio. Faz-me lembrar os bons velhos tempos das homenagens singelas, porém cheias de significado. Ainda nem começou a governar, mas desdobra-se no espalhafato dos "pequenos gestos". Este Governo é moralista: gosta de "dar o exemplo". Este Governo é cabeça-de-giz: adora "dar sinais".
Para que o País aprenda, Passos Coelho reduziu o número de ministérios, escolheu uma equipa jovem, acabou com os governadores civis e até protagonizou a famosa rábula da viagem de avião em económica, que era de graça mesmo que fosse em executiva. Claro que todos nós sabemos que, no fundo, tudo continua na mesma, mas o gesto está lá, e "o gesto é tudo", como muito bem dizia o concurso da RTP a preto e branco.
Mas a ministra da Agricultura e etc. resolveu ir ainda mais longe. Num notável golpe de asa, Assunção Cristas anunciou, no seu primeiro comunicado à Nação, que decidiu acabar com a obrigação do uso de gravata no seu ministério (palavra de honra, não sabia que era obrigatório!). O objectivo da fracturante medida, a implementar doravante todos os verões, é "diminuir a factura da electricidade e preservar o ambiente".
No Ministério da Agricultura e etc. admite-se que, pela mesma razão, nos invernos, passe a ser obrigatório o uso de cachecol e sobretudo.
*Esclareço que, por motivo de boas práticas ambientais e internacionais, escrevi este texto completamente em pelote.
Para que o País aprenda, Passos Coelho reduziu o número de ministérios, escolheu uma equipa jovem, acabou com os governadores civis e até protagonizou a famosa rábula da viagem de avião em económica, que era de graça mesmo que fosse em executiva. Claro que todos nós sabemos que, no fundo, tudo continua na mesma, mas o gesto está lá, e "o gesto é tudo", como muito bem dizia o concurso da RTP a preto e branco.
Mas a ministra da Agricultura e etc. resolveu ir ainda mais longe. Num notável golpe de asa, Assunção Cristas anunciou, no seu primeiro comunicado à Nação, que decidiu acabar com a obrigação do uso de gravata no seu ministério (palavra de honra, não sabia que era obrigatório!). O objectivo da fracturante medida, a implementar doravante todos os verões, é "diminuir a factura da electricidade e preservar o ambiente".
No Ministério da Agricultura e etc. admite-se que, pela mesma razão, nos invernos, passe a ser obrigatório o uso de cachecol e sobretudo.
*Esclareço que, por motivo de boas práticas ambientais e internacionais, escrevi este texto completamente em pelote.
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