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sábado, 11 de novembro de 2017

Sosígenes Costa 2

O pavão vermelho
 
Ora, a alegria, este pavão vermelho,
está morando em meu quintal agora.
Vem pousar como um sol em meu joelho
quando é estridente em meu quintal a aurora.


Clarim de lacre, este pavão vermelho
sobrepuja os pavões que estão lá fora.
É uma festa de púrpura. E o assemelho
a uma chama do lábaro da aurora.


É o próprio doge a se mirar no espelho.
E a cor vermelha chega a ser sonora
neste pavão pomposo e de chavelho.


Pavões lilases possuí outrora.
Depois que amei este pavão vermelho,
os meus outros pavões foram-se embora.

"Obra Poética", Sosígenes Costa

(Sosígenes Costa nasceu no dia 11 de Novembro de 1901. Morreu em 1968.)

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Sosígenes Costa

Chuva de ouro 

As begônias estão chovendo ouro,
suspendidas dos galhos da oiticica.
O chão, de pólen, vai ficando louro
e o bosque inteiro redourado fica.


Dir-se-á que se dilui todo um tesouro.
Nunca a floresta amanheceu tão rica.
As begônias estão chovendo ouro,
penduradas nos galhos da oiticica.


Bando de abelhas através do pólen
zinindo num brilhante fervedouro,
as curvas asas transparentes bolem.


E, enquanto giram num bailado belo,
as begônias estão chovendo ouro.
Formosa apoteose do amarelo!


"Obra Poética", Sosígenes Costa

(Sosígenes Costa nasceu no dia 11 de Novembro de 1901. Morreu em 1968.)