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sábado, 13 de maio de 2017

Raimundo Correia 4

Rima

Rondo pela noite
Imaginando mil coisas
Meditando sozinho
Até a madrugada

Isto tudo é tão contrário
Medo e coragem
Amor e ódio
Revolta e compreensão

Mas nada rima nesse mundo
Apenas eu e você restávamos
Resto do que o mundo já foi
Intensamente, imensamente, eternamente

Até mesmo nós sucumbimos
Reavaliamos nossa condição
Indiferentes, deixamos de rimar
Menos um casal no mundo

Agora ando sozinho
Meditando noite adentro
Imaginando e esquecendo mil e uma coisas
Rondando até a madrugada

Raimundo Correia

(Raimundo Correia nasceu no dia 13 de Maio de 1859. Morreu em 1911.)

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Raimundo Correia 3

A cavalgada

A lua banha a solitária estrada...
Silêncio!... Mas além, confuso e brando,
O som longínquo vem-se aproximando
Do galopar de estranha cavalgada.


São fidalgos que voltam da caçada;
Vêm alegres, vêm rindo, vêm cantando.
E as trompas a soar vão agitando
O remanso da noite embalsamada...


E o bosque estala, move-se, estremece...
Da cavalgada o estrépito que aumenta
Perde-se após no centro da montanha...


E o silêncio outra vez soturno desce...
E límpida, sem mácula, alvacenta,
A lua a estrada solitária banha...


"Sinfonias", Raimundo Correia

(Raimundo Correia nasceu no dia 13 de Maio de 1859. Morreu em 1911.)

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Raimundo Correia 2

Amor e vida

Esconde-me a alma, no íntimo, oprimida,
Este amor infeliz, como se fora
Um crime aos olhos dessa, que ela adora,
Dessa que, crendo-o, crera-se ofendida.


A crua e rija lâmina homicida
Do seu desdém vara-me o peito; embora,
Que o amor que cresce nele, e nele mora,
Só findará quando findar-me a vida!


Ó meu amor! como num mar profundo,
Achaste em mim teu álgido, teu fundo,
Teu derradeiro, teu feral abrigo!


E qual do rei de Tule a taça de ouro,
Ó meu sacro, ó meu único tesouro!
Ó meu amor! tu morrerás comigo!


"Sinfonias", Raimundo Correia

(Raimundo Correia nasceu no dia 13 de Maio de 1859. Morreu em 1911.)

terça-feira, 13 de maio de 2014

Raimundo Correia

As pombas

Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada.

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...

"Sinfonias", Raimundo Correia

(Raimundo Correia nasceu no dia 13 de Maio de 1859. Morreu em 1911.)