A casa da Rua Abílio
A casa que foi minha, hoje é casa de Deus.
Traz no topo uma cruz. Ali vivi com os meus,
Ali nasceu meu filho; ali, só, na orfandade
Fiquei de um grande amor. Às vezes a cidade
Deixo e vou vê-la em meio aos altos muros seus.
Sai de lá uma prece, elevando-se aos céus;
São as freiras rezando. Entre os ferros da grade,
Espreitando o interior, olha a minha saudade.
Um sussurro também, como esse, em sons dispersos,
Ouvia não há muito a casa. Eram meus versos.
De alguns talvez ainda os ecos falarão,
E em seu surto, a buscar o eternamente belo,
Misturados à voz das monjas do Carmelo,
Subirão até Deus nas asas da oração.
"Poesias, 4.ª série", Alberto de Oliveira
(Alberto de Oliveira nasceu no dia 28 de Abril de 1857. Morreu em 1937.)
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sábado, 28 de abril de 2018
Alberto de Oliveira 5
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sexta-feira, 28 de abril de 2017
Alberto de Oliveira 4
A alma dos vinte anos
A alma dos meus vinte anos noutro dia
Senti volver-me ao peito, e pondo fora
A outra, a enferma, que lá dentro mora,
Ria em meus lábios, em meus olhos ria.
Achava-me ao teu lado então, Luzia,
E da idade que tens na mesma aurora;
A tudo o que já fui tornava agora,
Tudo o que ora não sou me renascia.
Ressenti da paixão primeira e ardente
A febre, ressurgiu-me o amor antigo
Com os seus desvairos e com os seus enganos...
Mas ah! quando te foste novamente
A alma de hoje tornou a ser comigo,
E foi contigo a alma dos meus vinte anos.
"Poesias, 4.ª série", Alberto de Oliveira
(Alberto de Oliveira nasceu no dia 28 de Abril de 1857. Morreu em 1937.)
A alma dos meus vinte anos noutro dia
Senti volver-me ao peito, e pondo fora
A outra, a enferma, que lá dentro mora,
Ria em meus lábios, em meus olhos ria.
Achava-me ao teu lado então, Luzia,
E da idade que tens na mesma aurora;
A tudo o que já fui tornava agora,
Tudo o que ora não sou me renascia.
Ressenti da paixão primeira e ardente
A febre, ressurgiu-me o amor antigo
Com os seus desvairos e com os seus enganos...
Mas ah! quando te foste novamente
A alma de hoje tornou a ser comigo,
E foi contigo a alma dos meus vinte anos.
"Poesias, 4.ª série", Alberto de Oliveira
(Alberto de Oliveira nasceu no dia 28 de Abril de 1857. Morreu em 1937.)
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