A amizade
Como as plantas melindrosas,
A amizade quer cultura:
Se não, faz-se como as rosas
Quando perdem a frescura.
Nasce e cresce lentamente;
Devagar, deita raízes;
Mas, depois de bem frondente,
Como abriga os infelizes!...
Quanto mais velha mais bela,
Se foi sempre sem mudança;
E livrar que, à sombra dela,
Possa haver desconfiança.
A suspeita - mal terrível!
Quando a vê lhe abre o jazigo.
E nada mais detestável
Que o sorrir de um falso amigo.
Corações bem cristalinos
É onde ela robustece,
Onde dá frutos divinos,
Onde a flor jamais perece.
E criada em peito amante,
Mais que amor deve ser cara,
Pois se é raro o amor constante,
A amizade ainda é mais rara.
Francisco Gomes de Amorim
(Francisco Gomes de Amorim nasceu no dia 13 de Agosto de 1827. Morreu em 1891.)
Mostrar mensagens com a etiqueta Francisco Gomes de Amorim. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Francisco Gomes de Amorim. Mostrar todas as mensagens
domingo, 13 de agosto de 2017
sábado, 13 de agosto de 2016
Francisco Gomes de Amorim
Existe uma nação na Europa que adquiriu desde muito o singular
privilégio de ter sempre fixadas sobre si as atenções de todos os outros
povos: é a França. Não deve esta distinção à sua extraordinária história, nem aos feitos gloriosos de seus mais ilustres filhos, deve-a simplesmente à circunstância de possuir Paris e os parisienses.
Paris! Todo o bom muçulmano tem que fazer ao menos uma vez na vida a peregrinação de Meca; todo o francês sonha dia e noite com a capital do seu país, e ali vai levar o fruto das suas economias, ou das de seus pais, logo que pode soltar as asas do ninho da província; o viajante estrangeiro não marca no seu itinerário senão uma cidade, que há-de visitar por força: é Paris; às outras, irá, se puder, se lhe sobejar dinheiro e tiver tempo. O fim, o fito, o ponto de mira das suas aspirações é aquele. Ou não sair de casa ou ir ali. Perguntai a um homem, que regresse à pátria, se já viu Paris, e ele julgará que o insultais. Viajar sem passar por Paris é uma vergonha que ninguém quer; seria a desonra do viajante.
"O Remorso Vivo", Francisco Gomes de Amorim
(Francisco Gomes de Amorim nasceu no dia 13 de Agosto de 1827. Morreu em 1891.)
Paris! Todo o bom muçulmano tem que fazer ao menos uma vez na vida a peregrinação de Meca; todo o francês sonha dia e noite com a capital do seu país, e ali vai levar o fruto das suas economias, ou das de seus pais, logo que pode soltar as asas do ninho da província; o viajante estrangeiro não marca no seu itinerário senão uma cidade, que há-de visitar por força: é Paris; às outras, irá, se puder, se lhe sobejar dinheiro e tiver tempo. O fim, o fito, o ponto de mira das suas aspirações é aquele. Ou não sair de casa ou ir ali. Perguntai a um homem, que regresse à pátria, se já viu Paris, e ele julgará que o insultais. Viajar sem passar por Paris é uma vergonha que ninguém quer; seria a desonra do viajante.
"O Remorso Vivo", Francisco Gomes de Amorim
(Francisco Gomes de Amorim nasceu no dia 13 de Agosto de 1827. Morreu em 1891.)
Subscrever:
Mensagens (Atom)