Antes que seja crime
Reuniram-se em segredo - disfarçados, desconfiados, culpados e urgentes.
Uma candeia sigilosa e tremente alumiava o silêncio. Sentaram-se à volta de uma generosa vitela
assada à moda de Fafe, clandestinos antes do tempo. Antes que seja
crime.
A pergunta da moda
- Tem sumos naturais?
- Naturalmente.
- Era um copo de tinto, se faz favor...
A gozona
- Tem sumo de tomate?
- Mas com certeza, minha senhora...
- E os espermatozóides, safam-se?...
Adeus, confrade, até outro dia
E agora, o que vai ser das nossas confrarias? Penso muito especialmente,
com o coração pesado e não sem um amargo de boca, na Confraria
Gastronómica da Região de Lafões, na Confraria da Carne Barrosã, na
Confraria Gastronómica da Raça Arouquesa, na Confraria Gastronómica do
Toiro Bravo ou, puxando a brasa à minha sardinha, na Confraria da Vitela
Assada à Moda de Fafe, honradas confrarias que destaco ao acaso entre
as cento e vinte e três mil novecentas e oitenta e sete confrarias
gastronómicas de Portugal. E agora, o que vai ser daquelas fatiotas
todas janotas? E dos pins? E das fitas? E dos chapéus tão pândegos? E
dos sarrafos? E das tainadas quinzenais? E das viagenzinhas
eventualmente de geminação, de preferência ao estrangeiro, sempre que
possível ao Brasil, o que vai ser, agora?
Teremos sempre, graças a Deus, a Confraria de Nossa Senhora das Neves e a
Confraria da Folha de Alface Repolhuda: mas terão estes dois oásis
digamos confreiráticos condições para acolher pelo menos com o conforto
devido a uma galinha pedrês os milhões de confrades e confreiras assim
de repente despejados dos seus deveres e haveres por esse país fora,
como se fossem bandidos, refugiados praticamente?
Estou bastante preocupado.
Já agora. A lengalenga dos antigos em Fafe lengalengava-se assim, fazendo o
sinal da cruz, Deus me perdoe: "Pelo sinal, bico real, comi toucinho no
teu quintal, se mais me desses, mais eu comia, adeus, compadre, até
outro dia."
Espanto gastrointestinal
Era vegetariano e cagava postas de pescada. A ciência nunca soube explicar o fenómeno.
Vegetariano, praticamente
Creio que foi Groucho Marx quem disse: "Eu não
sou vegetariano, mas como animais que são." Eu também conheço um ou dois veganos, o que me torna praticamente.
P.S - Hoje celebra-se, não cá em casa, o Dia
Mundial do Veganismo ou do Vegano. E também é Dia de Cailleach, na
mitologia celta, Dia de São Cesário de Terracina e Dia de Todos os Santos, que eu sempre achei que devia ser a festa maior da Igreja Católica.
Os Mortos é só amanhã, mas os veganistas estão com pressa.