Sim quero-te...
Quero-te quando solitário cismo
na nossa vida,
nossa triste vida...
e optimista, esperançoso eu vejo
o meu futuro,
o teu futuro,
e uma vida melhor...
Quero-te quando a nossa melodia,
a nossa morna,
cantas docemente...
... e eu sonho, eu vivo, e eu subo a escada mágica
da tua voz serena,
e eu vou viver contigo!
Quero-te quando contemplo o nosso mundo,
um mundo de misérias,
de dor,
e de ilusões...
... e penso, e creio e tenho
a máxima Certeza
de que o romper da aurora
do "dia para todos"
não tarda... e vem já perto...
... E o mundo de misérias
será um mundo de Homens...
Eu quero-te! Eu quero-te!
Como o dia de amanhã!...
"Emergência da Poesia em Amílcar Cabral", Amílcar Cabral
(Amílcar Cabral nasceu no dia 12 de Setembro de 1924. Morreu em 1973.)
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sábado, 12 de setembro de 2020
quinta-feira, 12 de setembro de 2019
Amílcar Cabral 3
Regresso
Mamãe Velha, venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão.
É um bater de amigo
Que vibra dentro do meu coração
A chuva amiga, Mamãe Velha, a chuva,
Que há tanto tempo não batia assim...
Ouvi dizer que a Cidade-Velha
- a ilha toda -
Em poucos dias já virou jardim...
Dizem que o campo se cobriu de verde
Da cor mais bela porque é a cor da esp'rança
Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde.
- É a tempestade que virou bonança...
Venha comigo, Mamãe Velha, venha
Recobre a força e chegue-se ao portão
A chuva amiga já falou mantenha
E bate dentro do meu coração!
Amílcar Cabral
(Amílcar Cabral nasceu no dia 12 de Setembro de 1924. Morreu em 1973.)
Mamãe Velha, venha ouvir comigo
O bater da chuva lá no seu portão.
É um bater de amigo
Que vibra dentro do meu coração
A chuva amiga, Mamãe Velha, a chuva,
Que há tanto tempo não batia assim...
Ouvi dizer que a Cidade-Velha
- a ilha toda -
Em poucos dias já virou jardim...
Dizem que o campo se cobriu de verde
Da cor mais bela porque é a cor da esp'rança
Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde.
- É a tempestade que virou bonança...
Venha comigo, Mamãe Velha, venha
Recobre a força e chegue-se ao portão
A chuva amiga já falou mantenha
E bate dentro do meu coração!
Amílcar Cabral
(Amílcar Cabral nasceu no dia 12 de Setembro de 1924. Morreu em 1973.)
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
Amílcar Cabral 2
Eu sou tudo e sou nada...
Eu sou tudo e sou nada,
Mas busco-me incessantemente,
- Não me encontro!
Oh farrapos de nuvens, passarões não alados,
levai-me convosco!
Já não quero esta vida,
quero ir nos espaços
para onde não sei.
Amílcar Cabral, "Emergência da Poesia em Amílcar Cabral"
(Amílcar Cabral nasceu no dia 12 de Setembro de 1924. Morreu em 1973.)
Eu sou tudo e sou nada,
Mas busco-me incessantemente,
- Não me encontro!
Oh farrapos de nuvens, passarões não alados,
levai-me convosco!
Já não quero esta vida,
quero ir nos espaços
para onde não sei.
Amílcar Cabral, "Emergência da Poesia em Amílcar Cabral"
(Amílcar Cabral nasceu no dia 12 de Setembro de 1924. Morreu em 1973.)
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terça-feira, 12 de setembro de 2017
Amílcar Cabral
Rosa negra
Amílcar Cabral
(Amílcar Cabral nasceu no dia 12 de Setembro de 1924. Morreu em 1973.)
Rosa,
Chamam-te Rosa, minha preta formosa
E na tua negrura
Teus dentes se mostram sorrindo.
Teu corpo baloiça, caminhas dançando,
Minha preta formosa, lasciva e ridente
Vais cheia de vida, vais cheia de esperanças
Em teu corpo correndo a seiva da vida
Tuas carnes gritando
E teus lábios sorrindo...
Mas temo tua sorte na vida que vives,
Na vida que temos...
Amanhã terás filhos, minha preta formosa
E varizes nas pernas e dores no corpo;
Minha preta formosa já não serás Rosa,
Serás uma negra sem vida e sofrente
Serás uma negra
E eu temo a tua sorte!
Minha preta formosa não temo a tua sorte,
Que a vida que vives não tarda findar...
Minha preta formosa, amanhã terás filhos
Mas também amanhã...
... amanhã terás vida!
Chamam-te Rosa, minha preta formosa
E na tua negrura
Teus dentes se mostram sorrindo.
Teu corpo baloiça, caminhas dançando,
Minha preta formosa, lasciva e ridente
Vais cheia de vida, vais cheia de esperanças
Em teu corpo correndo a seiva da vida
Tuas carnes gritando
E teus lábios sorrindo...
Mas temo tua sorte na vida que vives,
Na vida que temos...
Amanhã terás filhos, minha preta formosa
E varizes nas pernas e dores no corpo;
Minha preta formosa já não serás Rosa,
Serás uma negra sem vida e sofrente
Serás uma negra
E eu temo a tua sorte!
Minha preta formosa não temo a tua sorte,
Que a vida que vives não tarda findar...
Minha preta formosa, amanhã terás filhos
Mas também amanhã...
... amanhã terás vida!
Amílcar Cabral
(Amílcar Cabral nasceu no dia 12 de Setembro de 1924. Morreu em 1973.)
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