quarta-feira, 23 de maio de 2018

Philip Roth (1933-2018)

Ou deixas de foder outras ou está tudo acabado.
Foi este o ultimato, o exasperante, inacreditável e absolutamente imprevisto ultimato que a amante de cinquenta e dois anos fez lavada em lágrimas ao seu amante de sessenta e quatro, no aniversário de uma ligação que persistira com espantosa licenciosidade - e que não menos espantosamente se mantivera secreta - durante treze anos. Mas agora, com as secreções hormonais a refluir, a próstata a dilatar-se e um horizonte verosímil de não mais do que poucos anos de potência semiconfiável da parte dele - e talvez nem isso de vida restante -, agora, na proximidade do fim de tudo, estava intimado a virar-se do avesso sob pena de a perder.

"Teatro de Sabbath", Philip Roth

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