| Foto Hernâni Von Doellinger |
domingo, 1 de dezembro de 2019
Goze o feriado
Aproveite o feriado do 1.º de Dezembro, que ainda por cima é domingo: fique em casa e durma um sono, ou dois, consoante a
disposição e a companhia. E ouça a chuva a bater à janela. Mas não
abra se bater leve, levemente, que a chuva não bate assim: é de certeza o Neves, e o Neves é um chato do
caralho.
Fernanda Botelho 5
Poema
Negue-se o mundo a me dizer: sim!
Negue-se o ar da serra aos meus pulmões!
Fechem-se as janelas porque vim
interromper os solheiros e os pregões!
Neguem-me o passaporte
pra o estrangeiro!
Encontre-se sem norte
e sem dinheiro
(e desprevenidamente des-emotiva!)
frente às rodas paralelas
duma qualquer locomotiva,
ou entre elas,
ou melhor: debaixo delas!
- Por tudo encolherei os ombros
que, em suma, dizem crentes e descrentes
a vida é feita de rombos e de tombos,
doença, hostilidade e guinchos de serpentes.
Mas tu - (Homem! Garra!
Sucesso! ou Vento! ou Amarra!
Vício alegre! ou Labirinto!
Bebedeira de absinto
Filhos!
E Deus neles!)
- não me negues o tom simples
e às vezes reles
da tua voz pura-impura
com que seques
a minha vil e vã desenvoltura.
Fernanda Botelho
(Fernanda Botelho nasceu no dia 1 de Dezembro de 1926. Morreu em 2007.)
Negue-se o mundo a me dizer: sim!
Negue-se o ar da serra aos meus pulmões!
Fechem-se as janelas porque vim
interromper os solheiros e os pregões!
Neguem-me o passaporte
pra o estrangeiro!
Encontre-se sem norte
e sem dinheiro
(e desprevenidamente des-emotiva!)
frente às rodas paralelas
duma qualquer locomotiva,
ou entre elas,
ou melhor: debaixo delas!
- Por tudo encolherei os ombros
que, em suma, dizem crentes e descrentes
a vida é feita de rombos e de tombos,
doença, hostilidade e guinchos de serpentes.
Mas tu - (Homem! Garra!
Sucesso! ou Vento! ou Amarra!
Vício alegre! ou Labirinto!
Bebedeira de absinto
Filhos!
E Deus neles!)
- não me negues o tom simples
e às vezes reles
da tua voz pura-impura
com que seques
a minha vil e vã desenvoltura.
Fernanda Botelho
(Fernanda Botelho nasceu no dia 1 de Dezembro de 1926. Morreu em 2007.)
Guerra da Restauração
Quando a Guerra da Restauração entre Portugal e Espanha terminou e pediu
a continha, em 1668, foi deveras porreiro. Os espanhóis começaram a vir
comer bacalhau a Valença e os portugueses passaram a ir às bandejas de
marisco a Vigo. Foi bom para o negócio e, entre mortos e feridos,
salvaram-se consideráveis estabelecimentos.
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