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terça-feira, 6 de agosto de 2019

Matosinhos world’s bost fish

Foto Hernâni Von Doellinger

Matosinhos cheira mal. Faz parte. E aos domingos mete nojo. Os restaurantes de peixe rebentam pelas costuras e pelas esplanadas, e isso é bom para o IVA, mas fedem e fumegam num alucinante aviso do que decerto será o fim do mundo de um modo geral. Aos domingos, Matosinhos cheira a sardinhas mal descongeladas e a grelhas que não vêem água desde a grande seca de 1948. Cheira também a lixo deitado alegremente à rua sem norma nem excepção. Cheira também aos escapes bronquíticos dos incendiários autocarros da Resende. Quer-se dizer: Matosinhos cheira mal, fede ao natural e ao gasóleo, tresanda a Matosinhos.
Com vista para o mar se me puser de lado, moro há trinta anos ao dobrar da esquina da restaurantíssima e concorridíssima Rua Heróis de França, no epicentro exacto dos vapores e malinas gastronómicas matosinhenses. Por estes dias a Rua Heróis de França está praticamente impraticável, pelo menos desde Tomás Ribeiro até às funduras da Lota, mas suponho que depois da Lota continua. Ecopontos e contentores tresandam perigosamente, mesmo à distância: nauseabundam a comida estragada, a peixe podre, a vomitado, a fermentado, a ranço, a lavadura para porcos, a ácido, a tóxico, a bagaço, a estrume, a bosta. Matosinhos World’s Best Fish só pode ser um equívoco, uma piada. E o fedor corre pela rua e entranha-se nas casas e nas roupas. Nos pulmões.
O Senhor Varredor que se ocupa de Heróis de França e faz um trabalho impecável, e com quem dou, sempre que podemos, dois dedos de conversa, pediu-me que eu fosse deitando os olhos ali às redondezas dos ecopontos novinhos em folha, porque se calhar um destes dias lá estará ele estendido ao comprido, evidentemente gaseado por aquele fedor que não se aguenta.
Claro que Matosinhos não tem o melhor peixe do mundo. Tem um peixe honestinho, com que me vou regalando cá em casa, e não é peixe de restaurante. É outro peixe, de que a publicidade não sabe, e ainda bem para mim. Por outro lado, Matosinhos terá provavelmente o melhor pior fedor do mundo. Entre o peixinho e o fedor, às tantas nem me queixo. Na verdade, confesso, gosto de Matosinhos assim.

P.S. - Texto escrito e publicado no passado dia 26 de Julho. Acolhi hoje a informação de que os ecopontos vão desaparecer da Rua Heróis de França, substituídos não me souberam ainda dizer por quê nem quando. Se ajudei qualquer coisinha, foi sem querer...

terça-feira, 4 de setembro de 2018

O maior navio de sempre

Foto Hernâni Von Doellinger

Isto é: o maior navio de cruzeiros que alguma vez passou pelo Porto de Leixões. Foi ontem. O Mein Schiff 1, construído na Finlândia e explorado por alemães, estende-se por 315 metros ao comprido e 36 metros de largo. Trazia a bordo cerca de quatro mil pessoas, entre passageiros e tripulantes. Isto é: a população completa do concelho de Freixo de Espada à Cinta, e ainda há muitas vagas.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Riguinha e Carcavelos Stream, of course

Foto Hernâni Von Doellinger

O estuário da ribeira da Riguinha e Carcavelos é a principal atracção turística da Praia de Matosinhos. E tem um valor ecológico incalculável. Mas não está legalmente protegido e essa omissão é um perigo. Vamos admitir que, por absurdo, algum maluco episodicamente com poder se lembrava de subterrar o curso de águas, introduzindo-o directamente no oceano: assim se destruiria um dos mais interessantes e bem frequentados gaivotais da costa portuguesa. Estão a ver o desastre?
Mais uma pergunta, já agora, e esta dirigida a quem manda, mas upa upa: para quando a criação da Reserva Natural do Gaivotal da Praia de Matosinhos? Era uma garantia, ficava o assunto resolvido.
A este santuário, estrategicamente localizado mesmo aos pés da famosa Anémona da Olá, as gaivotas acorrem aos milhares e ao cheiro. Porque a Riguinha cheira. O estuário da Riguinha e Carcavelos parece a desembocadura de um esgoto. A Riguinha tem tudo para ser um bom esgoto, mas é uma ribeira de papel passado. Quando chove, a ribeira alimenta-se das sarjetas das ruas e as gaivotas agradecem. As águas são gordurosas e amiúde recheadas, são ora pretas ora castanhas, sobretudo castanhas. E as gaivotas apreciam. E todo este património não se pode perder.
As gaivotas, que têm merda na barriga mas não na cabeça, não se acreditam que a Riguinha é uma ribeira. Acham que é um esgoto. E eu até as compreendo.

P.S. - Texto escrito e publicado no dia 11 de Dezembro de 2012. Junto hoje a foto, que é desta manhãzinha. Mais sobre gaivotas, por exemplo, aqui.

sábado, 5 de maio de 2018

A badalhoca e o malcriado

Badalhoca e Malcriado são dois restaurantes que quase se enfrentam na parte da Avenida de Serpa Pinto que atraca ao Porto de Leixões, em Matosinhos. A Badalhoca do Fredo e O Malcriado da Casa da Boa Gente - é preciso que se note. A zona é boa. Ali nas redondezas há também, por exemplo, o Rei da Sardinha Assada e a Marisqueira dos Pobres, nomes igualmente sugestivos, posto que mais asseados, e portanto não entram para o que aqui interessa. Que é: imagino o dilema de quem por ali anda, povo de fora, à procura de sítio decente para almoçar: Badalhoca ou Malcriado? Malcriado ou Badalhoca? Badalhoca?! Malcriado?!... A minha sorte é que moro perto e venho comer a casa.

Foto Hernâni Von Doellinger

Foto Hernâni Von Doellinger

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Rally Serras de Fafe, sábado e domingo

Fafe acolhe nos próximos sábado e domingo, dias 17 e 18 de Fevereiro, a prova de abertura do Campeonato de Portugal de Ralis. O Rally Serras de Fafe conta com 85 inscritos e marca os regressos de José Carlos Macedo e de Armindo Araújo, bicampeão mundial de Produção.
Mais informação (programa geral, horários, locais de passagem, recomendações e lista de participantes), aqui, aqui e aqui.

Foto Hernâni Von Doellinger

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Tenkiu verigude

A inglesinha abeirou-se-me sorridente e de mapa na mão, pedindo-me que lhe dissesse onde estava. Indiquei-lhe: estávamos na Avenida de Serpa Pinto, Matosinhos, que era o sítio que ela queria. Alargando o sorriso, bonito, a inglesinha simpática fez "Hã... hã... hã...", à procura da palavra certa, e, no seu melhor português, saiu-se finalmente, toda satisfeita, "Grazie!"...
Vá lá, podia ter sido pior. Se me tivesse atirado "Muchas gracias!" eu ficaria realmente incomodado...