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sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Sérgio Conceição não pára

Foto Hernâni Von Doellinger

No dia seguinte a talvez ter salvo o emprego e no mesmo dia em que, não sei, terá dado folga ao plantel, como dizem os peritos, Sérgio Conceição, treinador da principal equipa de futebol do FC Porto, lá andava pelas nove da matina a puxar pelo cabedal, certamente preparando o próximo combate.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Bruma no Porto

E, de um modo geral, em toda a faixa costeira das regiões Norte e Centro, com possibilidade de ocorrência de períodos de chuva fraca ou chuvisco no litoral a sul do Cabo Mondego. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê para amanhã, domingo, uma pequena subida da temperatura máxima.

P.S. - Fiz esta brincadeira no dia 13 de Julho de 2013. Seis anos depois, até parece.

sábado, 11 de maio de 2019

Os meus cromos 62: Salazar, Salazar, Salazar


Sessão solene na Sala da Direcção dos Bombeiros Voluntários de Fafe, quartel antigo, Rua José Cardoso Vieira da Castro, entre os dois palacetes e ao lado da garagem do Zé Bastos, como quem vai para o Hospital, algures pelas décadas de cinquenta ou sessenta do século passado. Da esquerda, Deus me perdoe, para a direita: o eterno presidente da corporação, Albino Fernandes; o então presidente da Câmara, Manoel Cardoso, no uso da palavra; o cónego Leite de Araújo, que ainda não era cónego e estava a gostar muito; e, fumegante e condecorado, João Mendes Ribeiro, discreto comandante da Legião, benfeitor à la carte e dono daquilo tudo. Pregado à parede como Nosso Senhor, pairando sobre presentes e ausentes, tomando conta da Nação - Salazar.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Matateu: o deus velho, segundo Baptista-Bastos

Matateu: o deus velho

Matateu-Monumento foi incubado nas Salésias, num famoso encontro de futebol que opôs as equipas do Belenenses e do Sporting. Fautor primeiro da clamorosa vitória do grupo de Belém, o rapaz foi sacado aos ombros por uma multidão congestiva, que o transportou pela provecta Rua das Casas do Trabalho, onde meninas se debruçavam das janelas, subtraindo da morfologia do negro atónito resquícios de uma beleza de Apolo. E exclamaram:
"Que simpático!"
"Bonito, mesmo!"
A coroação processou-se no dia imediato. Cronistas desportivos, em lufa-lufa de imagética, besuntaram o nome de Lucas Sebastião da Fonseca com cognomes bizarros: "O Napoleão do Futebol Português", "O Artilheiro Negro" ou "Perigo na Grande Área com Matateu ao Remate".
Foi assim. Depois, certa imprensa alvoroçou-se em atribuir-lhe comentários profundos aos sistemas de jogo, dissertações didácticas sobre a galeria de futebolistas portugueses, avisos esclarecidos sobre as grandezas e misérias da bola. Matateu (termo que, no dialecto landim, significa "crosta"), perplexo, deslumbrado, deixou-se ir nas sugestões da popularidade doméstica. Sofreu, de bom grado, as metamorfoses determinadas pela súbita celebridade - mas nada conseguiu destruir-lhe a pureza inicial. A metade-instinto de que o carácter do homem é formado permaneceu fiel em si. As subtilezas da corrente arte da hipocrisia não aprendeu nunca. Matateu não sabe nada de nada e confessa isso abertamente, honradamente, porque a honra, nele, não é uma conquista, mas um instinto nato.
Falo com Matateu. Pergunto:
- Costuma ler?
Ele:
- Jornais. A secção desportiva dos jornais. Gosto muito de ver o meu nome nos jornais.
- Sabe quem é Hemingway?
- Não.
- E Picasso?
- Esse também não.
- E Aquilino Ribeiro?
- N... Espere aí... Ribeiro, disse Aq... a quê? A-aqui-ni-lo Ribeiro?
- Não foi Aquinilo Ribeiro, foi Aquilino Ribeiro.
- Pois. Não, não conheço mesmo nada desse nome.
- Gosta de música?
- Um pouco.
- Sabe quem foi Beethoven?
- Não.
- E Wagner?
- Não.
- Mas gosta de música?
- Um pouco. Samba. Sim, gosto de samba.
- Sabe quem é Dick Farney?
- Não.
- E Maysa Matarazzo?
- Não.
- Que divertimentos prefere?
- O cinema. Mas é uma chatice. Adormeço sempre. As letras daquilo que eles dizem passam a correr. Adormeço sempre.
- Leu alguma vez um livro?
- Nunca até ao fim.
- Porquê?
- Não percebo o que os livros querem dizer.
- Você tem viajado muito. De que país gostou mais?
- Da Itália.
- Porquê?
- Por causa das mulheres. Lindas. Comi algumas. Muito boas. Gosto bastante da Itália. Que rico país para um preto viver!
- Ouça uma coisa, Matateu...
- Olhe, escreva o que quiser; é assim que eu faço sempre, quando estou com um jornalista que me parece bom rapaz. Escreva o que quiser e ponha essas palavras na minha boca. À vontade. Mas não ponha lá que eu disse mal... Matateu não diz mal de ninguém!
[...]

"As Palavras dos Outros", Baptista-Bastos 

(Matateu, ou o Eusébio azul e em bom, como eu gosto de chamar-lhe, nasceu em 1927 e morreu no dia 27 de Janeiro de de 2000. Sobre Baptista-Bastos e "As Palavras dos Outros", escrevi aqui.)