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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Espremendo a noite eleitoral

1. Os "novos" partidos festejaram mais o direito à subvenção do Estado do que a eleição de deputados. Money, money, money...
2. Os do Chega dizem que não fazem alianças com ninguém. E quem quereria?
3. A Iniciativa Liberal avisa que, agora que meteu um deputado no Parlamento, "o PS terá uma oposição diferente". António Costa que se ponha a pau!
O resto? Normalzinho.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Pantominices 5

Reuniram-se em segredo - disfarçados, desconfiados, culpados e urgentes. Uma candeia sigilosa e tremente alumiava o silêncio. Sentaram-se à volta de uma generosa vitela assada à moda de Fafe, clandestinos antes do tempo. Antes que seja crime.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Pantominices 4

A notícia espalhou-se como fogo em mato seco: um automobilista acabara de atropelar mortalmente uma pega, toda esmigalhadinha. Assassino! Juntaram-se imediatamente o PAN, sobretudo o PAN, a Protectora dos Animais, a Greenpeace, dois dirigentes da Juve Leo, trinta e dois indignados das redes sociais, quatrocentos youtubers, seis cães que tinham levado os donos a almoçar fora e vários elementos do movimento cívico e espontâneo SOS Grilo Careca de Asa Redonda e Perna Curta, que está muito bem organizado para estas emergências. Rodearam o carro, arrancaram o automobilista cá para fora e encheram-no de carolos e caneladas, para ele aprender. Só não chegaram ao linchamento porque, regra geral, desconheciam a palavra, e os poucos que a conheciam de vista confundiam-na com lixamento e achavam que, para lixar o energúmeno, os carolos e as caneladas já estavam muito bem.
Apareceu a GNR. A autoridade aproveitou para também molhar a sopa, quer-se dizer, o automobilista caiu sozinho sobre duas secretárias e esbarrou-se sem ninguém lhe tocar num armário ali no meio da via, e, posto isto, foi-lhe ordenado que se explicasse. O automobilista explicou-se. E convenceu. A Quercus, o PAN, sobretudo o PAN, a Protectora dos Animais, a Greenpeace, os dirigentes da Juve Leo, os tinta e dois indignados das redes sociais, os quatrocentos youtubers, os seis cães da vida airada, os espontâneos do SOS Grilo Careca de Asa Redonda e Perna Curta e a própria GNR fartaram-se de pedir desculpas ao homem e até lhe deram os parabéns e os primeiros-socorros. Tudo não passara de um pequeno mal-entendido, erro de comunicação. Afinal o automobilista não tinha morto uma pega ou Pica pica melanotos, seria uma tragédia, tinha apenas atropelado mortalmente uma pega meretriz de beira de estrada, mulher solteira e mãe de três filhos, toda esmigalhadinha. É chato, mas são coisas que acontecem...

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Pantominices 3

Antenor da Silva, utente n.º 257974590 e processo n.º 9374566/04, apresentou-se na urgência do hospital e disse Estou há quinze anos à espera de uma operação a uma hérnia e, é preciso que se note, sou uma tartaruga. Foi operado imediatamente.

domingo, 29 de setembro de 2019

Pantominices

O sem-abrigo apresentou-se nos serviços sociais e disse Bom dia, sou cão e preciso de uma casa! Deram-lhe um T3+1 decorado e mobilado.

sábado, 28 de setembro de 2019

Quando as eleições eram livres e democráticas

Houve um tempo, a seguir ao 25 de Abril de 1974 e ao Verão Quente de 1975, em que as eleições corriam sempre bem, chovesse ou fizesse sol. Sobretudo as eleições autárquicas, que eram assim uma coisa mais maneirinha, mais caseira, mais privada, para não ir mais longe. Mas era geral. O mapa do País não interessava para nada, a logística era um pormenor, os cadernos eleitorais um mero adereço, as chapeladas as do costume mas gloriosamente ao contrário. Bebiam-se uns copos à boca das urnas e nas urnas propriamente ditas, fazia-se uma almoçarada com o pessoal de serviço de todos os partidos, que eram o PPD e o "da mãozinha" mais o gajo do PC que viera de fora e era um picuinhas e a senhora do CDS que era catequista e virgem segundo as últimas sondagens. O pai votava pelo filho que era tolinho e estava internado, o filho que era tolinho e estava internado votava pelo pai que já falecera, pai e filho votavam pela avó que se encontrava muito atacadinha e por isso não pôde ir, e depois a avó que se encontrava muito atacadinha ia e votava também. Havia quem votasse em dois lados, havia quem votasse duas ou três vezes no mesmo lado, havia quem votasse em dois partidos, e valia, havia quem votasse em quantas freguesias fosse preciso, era só dizer, havia quem quisesse e pudesse votar e não deixavam, havia quem se fizesse de ambulância, havia quem se fizesse de parvo, havia quem chamasse a polícia, havia quem chamasse o gregório agarrado ao garrafão levado pelo presidente da mesa a mando do presidente da junta. Chegada a hora das contas, ia-se aos cadernos e à acta, acrescentava-se aqui, desarriscava-se ali, rasgavam-se uns papéis, queimavam-se noves fora nada, o chato do PC também assinava, a beata do CDS amém, e no fim batia tudo certo. Podem crer: batia tudo certo.

As eleições eram do povo, eram, por assim dizer, um arraial libertário, mas cumpriam a função. Trafulhice, aquilo? Não. Bagatelas, pequenos truques de ilusionismo, alguns até bastante ingénuos e que geralmente acabavam por anular-se entre si e nem davam caso. Agora seria impossível que tal acontecesse, com a experiência burocrática entretanto adquirida, com o rigor vigente e o cada vez mais apertado controlo nos actos eleitorais, com os doutores a tomarem conta. Acabou-se o descaramento, isso é verdade. Agora os cambalachos fazem-se pelo soleno...

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O candidato e o microfone

Cansado de esperar pela sua vez, o candidato levantou-se e pediu o microfone. Melhor dizendo: saltou da cadeira e exigiu o microfone, porque ele é que é o candidato, o povo o que quer é ouvir o candidato e blablablá paisano não ganha votos nem dá empregos. O candidato agarrou pois no microfone, coçou-lhe a cabecinha com a unhaca da cera, soprou-lhe o pó num imenso perdigoto e, sem mais delongas, dirigiu-se aos seus caríssimos e suspensíssimos apoiantes, praticamente quinze e em transe:
- Alô, chape, chape, um, dois. Um, dois, três, microfone, experiência. Chape, chape, um, dois. Um, dois, três, quatro, microfone...
E a multidão irrompeu em aplausos.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Botar é a direito e um beber cívico

- Botas tu ou boto eu?
- Bota tu, mas bota de alto.
- Boto em consciência.
- Então bonda, que já esborda.
- E agora?
- Agora: dou-lhe um beijinho, mando-lhe uma pescoçada, e a seguir boto eu.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Adeus, confrade, até outro dia

E agora, o que vai ser das nossas confrarias? Penso muito especialmente, com o coração pesado e não sem um amargo de boca, na Confraria Gastronómica da Região de Lafões, na Confraria da Carne Barrosã, na Confraria Gastronómica da Raça Arouquesa, na Confraria Gastronómica do Toiro Bravo ou, puxando a brasa à minha sardinha, na Confraria da Vitela Assada à Moda de Fafe, honradas confrarias que destaco ao acaso entre as cento e vinte e três mil novecentas e oitenta e sete confrarias gastronómicas de Portugal. E agora, o que vai ser daquelas fatiotas todas janotas? E dos pins? E das fitas? E dos chapéus tão pândegos? E dos sarrafos? E das tainadas quinzenais? E das viagenzinhas eventualmente de geminação, de preferência ao estrangeiro, sempre que possível ao Brasil, o que vai ser, agora?
Teremos sempre, graças a Deus, a Confraria de Nossa Senhora das Neves e a Confraria da Folha de Alface Repolhuda: mas terão estes dois oásis digamos confreiráticos condições para acolher pelo menos com o conforto devido a uma galinha pedrês os milhões de confrades e confreiras assim de repente despejados dos seus deveres e haveres por esse país fora, como se fossem bandidos, refugiados praticamente?
Estou bastante preocupado.

P.S. - Ciúmes, é o que se supõe. O reitor da Universidade de Coimbra, que também veste as suas roupinhas de festa, posto que mais recatadas, entre o padre e a viúva, rematadas na iluminada cabeça por uma  borla com berloques, inveja a garridice carnavalesca das vestimentas das confrarias. Vai daí, faz-lhes a folha.
Já agora. A lengalenga, em Fafe, dizia-se assim: "Pelo sinal, bico real, comi toucinho no teu quintal, se mais me desses, mais eu comia, adeus, compadre, até outro dia."

Vamos supor que somos amigos

- Vamos supor que eu ganhava as eleições...
- Mas tu vais concorrer?
- Não vou, mas vamos supor...
- Acho que estavas fodido.
- E aquele ordenadão, os subsídios, as mordomias correlativas, as negociatas, a reforma garantida e XXL, o emprego para a minha mulher, para o meu filho, para o meu tio solteiro e para os meu seis sobrinhos, e o conselho de administração do banco no pós-coisa?...
- Pensando melhor, parabéns. E não te esqueças dos amigos, quero dizer, não te esqueças de mim...

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Uma campanha sem lombo de porco

Dizem os jornais que o PS diz que vai fazer dieta durante a campanha eleitoral que vem aí como quem não quer a coisa. Os socialistas prometem cortar no número de iniciativas, nos gastos e na pegada ecológica, nos almoços e nos jantares. E sobretudo garantem que vão acabar com a famosa rota da "carne assada", que na verdade era assada só de nome, lombo de porco estufado no forno, melhor diriam os jornalistas e os políticos se por acaso percebessem alguma coisa do que comem.
Sobre o até agora incontornável e deslavado lombo de porco de campanha, no pré-PAN, escrevi o seguinte, no dia 2 de Abril de 2016:
Não sei se sabem, a comida oficial da política em Portugal (in rima veritas) é o lombo de porco assado, que por acaso é quase sempre apenas estufado, e uma merda. Canja, lombo e musse de chocolate. Quem já passou por campanhas eleitorais e comeu todos os dias lombo, ao almoço e ao jantar, sabe muito bem do que é que eu estou a falar (mais uma vez, e peço desculpa, mas a verdade é que sou de verso fácil, in rima veritas). Depois, quando alcançam o poleiro ansiado e o povo é que paga, os políticos esquecem-se do porco, tão em conta, tão prato do dia, e servem-se entre eles peixinho da alta à lá qualquer coisa, nanja sardinha, faneca ou carapau de pé-descalço.
Olhem o Professor Marcelo (também já comi lombo de porco com ele), agora que é Presidente: no almoço cerimonial da tomada de posse, foi creme de espargos, robalo a vapor e gelado; hoje, no almoço comemorativo dos 40 anos da Constituição, a ementa versava creme de couve-flor, tranches de garoupa e pudim de Estremoz. Também uma merda, mas cheia de classe.

P.S. - António Costa continuará, no entanto, a comer sílabas. Aguardo a posição do PAN a esse respeito.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Vendedores de retroescavadoras com luzinhas

- Então, estás a seguir os debates?
- Quais debates?
- Os das eleições.
- Quais eleições?
- As Legislativas de 6 de Outubro.
- Ah! E as Legislativas são para quê?
- Para elegermos a Assembleia da República.
- A Assembleia da República?
- Realmente, não. Para elegermos o Governo.
- O Governo?
- Tens razão, para escolhermos o primeiro-ministro.
- Ah! Não, não estou seguir os debates.

- Mas vais acompanhar a campanha?
- Qual campanha?
- A das Legislativas.
- Ah! Não, não vou acompanhar a campanha.

- Mas vais votar, não vais?
- Votar em quê?
- Nas Legislativas.
- Ah! Não, eu não voto em eleições de qualidade nenhuma.
- Mas devias. O teu voto é muito importante para todos juntos decidirmos o rumo que queremos dar ao país.
- A sério? Pronto, embrulha-me então aí três das mais baratas, mas uma tem de ser azul e com pirilampos amarelos...