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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Moelas de coelho, o petisco e o risco

A verdade é só uma: as moelas de coelho têm cada vez mais procura aqui no Tarrenego! No sentido de esclarecer e orientar estudiosos interessados, simples curiosos, ou gastrónomos em geral, segue-se uma despretensiosa súmula dos artigos científicos que ao longo dos últimos anos fomos produzindo a propósito de matéria tão penetrantemente seminal (ou tão seminalmente penetrante):

A minha receita de tomates aux gésiers de lapin
Livre de gorduras e lave em duas águas, uma pode ser das Pedras, as moelas de coelho. Meta as moelas de coelho numa marinada feita com sumo de pepino nacional, vinagre balsâmico, azeite de trufa, mel de rosmaninho, gengibre, flor de anis, flor de sal, flor-de-lis, flor-de-lótus e flor-de-ferrari. Deixe a repousar esta marinada dentro de uma embalagem para ovos de codorniz enquanto o ministro da Finanças conta até dez, que é aproximadamente durante duas horas e um quarto. Os ovos de codorniz deviam ter sido tirados antes, agora desfaça-se ao menos das cascas. Lave muito bem os tomates, corte um chapeuzinho numa das extremidades e limpe-os de todas as sementes e nervuras internas. Introduza as moelas de coelho nos tomates, misturando-as com uns pozinhos de queijo com o nome mais arrevesado que encontrar no supermercado. Pegue nos tomates e coloque o chapeuzinho, que vai adornar, de lado, com um pequeno cartão a dizer PRESS. Leve os tomates ao forno durante 180 minutos a 15 graus. Excelente. Está pronto. Retire do forno e deite ao lixo. Aqueça a feijoada que sobrou de ontem, encha o prato até à borda e... seja feliz!

Ainda as moelas de coelho
Claro que os coelhos não têm moelas. Claro que não há moelas de coelho. Devo informar, no entanto, que há um sítio em Fafe onde as arranjam muito bem.

Na cozinha em cuecas
O senhor da fibra óptica tocou-me ontem à porta, eram para aí 18h15. Não abri, mas disse-lhe pelo buraco da fechadura que não o podia atender. A verdade é esta: eu estava em cuecas e de avental a cozinhar umas moelas por acaso de coelho, as quais, não é para me gabar, até me saíram uma especialidade, e um homem em cuecas e de avental não é homem que se apresente ao senhor da fibra óptica, a não ser que o senhor da fibra óptica também se apresente em cuecas e de avental.
Irritam-me solenemente as visitas e os telefonemas de todos os vendedores de fibra da cobra, que são mais que as mães e andam todos ao mesmo, e a minha vontade é mandá-los à merda. Mas olho por mim abaixo, ponho-me no lugar deles e resolvo respeitar quem trabalha. Lá abro a porta ou atendo a chamada e... é um erro. São abusadores estes tipos: se mostramos simpatia, começam logo a fazer perguntas atrás de perguntas a que acham que nós temos obrigação de responder, e eu, que afinal não estou para os aturar, respondo-lhes torto, fecho-lhes a porta com um "com licença" ou desligo o telefone com outro "com licença". E depois arrependo-me da malcriadez, fico cheio de remorsos.
Portanto fiz muito bem em não ter aberto a porta, ontem, ao senhor da fibra óptica. Ainda por cima, estou muito bem servido de fibra óptica e as moelas de coelho, para ficarem em condições, devem ser cozinhadas sempre em cuecas.

O sucesso das moelas de coelho
O Dr. Google continua a remeter-me centenas de consulentes que me perguntam se "o coelho tem moela" ou se "há moelas de coelho". Ó galinácea ignorância! Mas é claro que o coelho não tem moela, é claríssimo que não há moelas de coelho, nem de coelha, quantas vezes mais tenho de dizer? Esclareço, no entanto, que quem as cozinha muito bem, às moelas de coelho, é o meu querido amigo Peixoto, em Fafe.

Já não há moelas de coelho
Embora notoriamente os coelhos não tenham moelas, ninguém cozinhava tão bem as moelas de coelho como o meu amigo Peixoto. Fui lá ontem, de fugida, para lhe dar um abraço e duas de letra, mas Peixoto de grilo. O malandro passou o negócio e não me avisou, ninguém me avisou. E devia ter saído em edital camarário, com voto de louvor e medalha: afinal, o Peixoto era uma instituição. Foda-se! Aos poucos vão-se-me acabando os motivos para tornar a Fafe... 

Ovos de Páscoa
Os ovos de Páscoa são de coelha, evidentemente.


Notas: "A minha receita de tomates aux gésiers de lapin" - 9 de Setembro de 2011, era então ministro das Finanças o morte-lenta Vítor Gaspar. "Ainda as moelas de coelho" - 20 de Setembro de 2011. "Na cozinha em cuecas" - 20 de Outubro de 2011. "O sucesso das moelas de coelho" - 14 de Março de 2014. "Já não há moelas de coelho" - 23 de Fevereiro de 2017. "Ovos de Páscoa" - 28 de Março de 2018.
Moedas: peço desculpa, não tenho trocado.

domingo, 24 de setembro de 2017

A minha receita de tomates aux gésiers de lapin

Tomates aux gésiers de lapin. Livre de gorduras e lave em duas águas, uma pode ser das Pedras, as moelas de coelho. Meta as moelas de coelho numa marinada feita com sumo de pepino nacional, vinagre balsâmico, azeite de trufa, mel de rosmaninho, gengibre, flor de anis, flor de sal, flor-de-lis, flor-de-lótus e flor-de-ferrari. Deixe a repousar esta marinada dentro de uma embalagem para ovos de codorniz enquanto o ministro da Finanças conta até dez, que é aproximadamente durante duas horas e um quarto. Os ovos de codorniz deviam ter sido tirados antes, agora desfaça-se ao menos das cascas. Lave muito bem os tomates, corte um chapeuzinho numa das extremidades e limpe-os de todas as sementes e nervuras internas. Introduza as moelas de coelho nos tomates, misturando-as com uns pozinhos de queijo com o nome mais arrevesado que encontrar no supermercado. Pegue nos tomates e coloque o chapeuzinho, que vai adornar, de lado, com um pequeno cartão a dizer PRESS. Leve os tomates ao forno durante 180 minutos a 15 graus. Excelente. Está pronto. Retire do forno e deite ao lixo. Aqueça a feijoada que sobrou de ontem, encha o prato até à borda e... seja feliz!

P.S. - Receita originalmente publicada em Sei de sítios, no dia 9 de Setembro de 2011, era então ministro das Finanças o vagaroso Vítor Gaspar. Como têm muita procura, mais moelas de coelho aqui, aqui e aqui.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Já não há moelas de coelho

Embora notoriamente os coelhos não tenham moelas, ninguém cozinhava tão bem as moelas de coelho como o meu amigo Peixoto. Fui lá ontem, de fugida, para lhe dar um abraço e duas de letra, mas Peixoto de grilo. O malandro passou o negócio e não me avisou, ninguém me avisou. E devia ter saído em edital camarário, com voto de louvor e medalha: afinal, o Peixoto era uma instituição. Foda-se! Aos poucos vão-se-me acabando os motivos para tornar a Fafe...

sexta-feira, 14 de março de 2014

O sucesso das moelas de coelho

O Dr. Google continua a remeter-me centenas de consulentes que me perguntam se "o coelho tem moela" ou se "há moelas de coelho". Ó galinácea ignorância! Mas é claro que o coelho não tem moela, é claríssimo que não há moelas de coelho, nem de coelha, quantas vezes mais tenho de dizer? Esclareço, no entanto, que quem as cozinha muito bem é o meu amigo Peixoto, em Fafe.

P.S. - Tudo sobre moelas de coelho, aqui.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Na cozinha em cuecas

O senhor da Optimus Fibra tocou-me ontem à porta, eram para aí 18h15. Não abri, mas disse-lhe pelo buraco da fechadura que não o podia atender. A verdade é esta: eu estava em cuecas e de avental a cozinhar umas moelas por acaso de coelho, as quais, não é para me gabar, até me saíram uma especialidade, e um homem em cuecas e de avental não é homem que se apresente ao senhor da Optimus Fibra, a não ser que o senhor da Optimus Fibra também se apresente em cuecas e de avental.
Irritam-me solenemente as visitas e os telefonemas de todos os vendedores de fibra da cobra, que são mais que as mães e andam todos ao mesmo, e a minha vontade é mandá-los à merda. Mas olho por mim abaixo, ponho-me no lugar deles e resolvo respeitar quem precisa. Lá abro a porta ou atendo a chamada e... é um erro. São abusadores estes tipos: se mostramos simpatia, começam logo a fazer perguntas atrás de perguntas a que acham que nós temos obrigação de responder, e eu, que afinal não estou para os aturar, respondo-lhes torto, fecho-lhes a porta na cara ou desligo o telefone. E depois arrependo-me da malcriadez, fico cheio de remorsos.
Portanto fiz muito bem em não ter aberto a porta, ontem, ao senhor da Optimus Fibra. Ainda por cima, estou de relações cortadas com a Optimus e as moelas de coelho, para ficarem em condições, devem ser cozinhadas sempre em cuecas.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ainda as moelas de coelho

Claro que os coelhos não têm moelas. Claro que não há moelas de coelho. Devo informar, no entanto, que há um sítio em Fafe onde as arranjam muito bem.

P.S. - Tudo sobre moelas de coelho, aqui.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sei de sítios

Sou devoto dos prazeres da mesa. Gosto da liturgia de uma boa refeição, em família ou com amigos, gosto de comer, gosto do que é bom, e sei o que é bom. Também sei fazer. Sou um apaixonado pela boa e honesta cozinha portuguesa. Gosto da cozinha portuguesa tal qual ela é, na sua pureza original: tradicional, apurada, robusta, variada, generosa. Um bom prato, uma especialidade daquelas de trás da orelha, é capaz de me fazer andar duzentos ou trezentos quilómetros pelo prazer de o degustar. Sei de sítios que não conto a ninguém, nem sob tortura, e se a tortura não for a da fome.
Enquanto posso (e posso cada vez menos, como a maioria dos portugueses), vou a esses sítios onde já há muito eu e a minha mulher somos tratados como amigos, e com mimos especiais, mas tenho que admitir que é sobretudo a comida que lá me leva. Vou pelo gosto, é este o meu parâmetro de aferição e escolha fundamental.
Mas respeito quem se deixa seduzir por outras variáveis gastronómicas ou paragastronómicas, como, por exemplo, essa coisa tão vaga ou talvez não como é "o serviço" ou "o atendimento".
Um velho compincha doutras vidas mas também da santa trincadeira - nas imortais palavras de mestre Aquilino Ribeiro, colocadas na boca de um abade, pois claro - contou-me que estava um destes dias numa bela jantarada, num grupo de gente boa e interessante, quando um dos convivas alvitrou um próximo repasto a realizar em determinado restaurante, que "tem um excelente serviço"...
O meu amigo, que é danado para a brincadeira mas o outro não sabia, perguntou, com matreirice:
- Excelente serviço, pois... Mas o que é que se come? O que é que é lá muito bom?
- Quer-se dizer, não sei, tem muita coisa, nada assim de especial, mas o atendimento é óptimo... - colocou-se à defesa o homem da ideia.
- Está bem, mas eu não como serviço, o atendimento não me enche a barriga - insistiu o meu amigo e voltou a insistir, perante o cada vez maior embaraço de quem já se tinha arrependido de ter dado apenas uma sugestão e do resto do pessoal à volta da mesa.
Tudo acabou depois na risota, quando todos perceberam que o meu amigo afinal estava na tanga, e até tiveram sorte porque desta vez, tenho a certeza, ele não arrumou a questão com uma expressão que lhe é muito cara e que, neste contexto, seria algo do género:
- O serviço? Dá-me com o serviço nos

tomates aux gésiers de lapin. Livre de gorduras e lave em duas águas, uma pode ser das Pedras, as moelas de coelho. Meta as moelas de coelho numa marinada feita com sumo de pepino nacional, vinagre balsâmico, azeite de trufa, mel de rosmaninho, gengibre, flor de anis, flor de sal, flor-de-lis, flor-de-lótus e flor-de-ferrari. Deixe a repousar esta marinada dentro de uma embalagem para ovos de codorniz enquanto o ministro da Finanças conta até dez, que é aproximadamente durante duas horas e um quarto. Os ovos de codorniz deviam ter sido tirados antes, agora desfaça-se ao menos das cascas. Lave muito bem os tomates, corte um chapeuzinho numa das extremidades e limpe-os de todas as sementes e nervuras internas. Introduza as moelas de coelho nos tomates, misturando-as com uns pozinhos de queijo com o nome mais arrevesado que encontrar no supermercado. Pegue nos tomates e coloque o chapeuzinho, que vai adornar, de lado, com um pequeno cartão a dizer PRESS. Leve os tomates ao forno durante 180 minutos a 15 graus. Excelente. Está pronto. Retire do forno e deite ao lixo. Aqueça a feijoada que sobrou de ontem e regale-se como deve ser.