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domingo, 23 de setembro de 2018

António Ramos Rosa 7

Para um amigo tenho sempre

Para um amigo tenho sempre um relógio
esquecido em qualquer fundo de algibeira.
Mas esse relógio não marca o tempo inútil.
São restos de tabaco e de ternura rápida.
É um arco-íris de sombra, quente e trémulo.
É um copo de vinho com o meu sangue e o sol.


"Viagem Através de Uma Nebulosa", António Ramos Rosa
 
(António Ramos Rosa nasceu no dia 17 de Outubro de 1924. Morreu no dia 23 de Setembro de 2013.)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

António Ramos Rosa (1924-2013)

Não posso adiar o coração

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração


"Viagem Através de Uma Nebulosa", António Ramos Rosa