Mostrar mensagens com a etiqueta O Tempo da Solidão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O Tempo da Solidão. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Walflan de Queiroz 3

Autobiografia

Nasci sob o signo de São Bento José Labre.
Pedi esmola na porta de Notre Dame,
E fui encontrado morto numa rua de Madrid.
O primeiro hino foi meu, o primeiro canto,
Que comoveu a alma de Francesca de Rímini.
Fui monge, amei a virgem.
Fui marinheiro, estive no oriente.
Mais tarde, pertenci ao grupo dos poetas malditos,
E escrevi o meu último poema para uma menina espanhola.


"O Tempo da Solidão", Walflan de Queiroz

(Walflan de Queiroz nasceu no dia 31 de Maio de 1930. Morreu em 1995.)

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Walflan de Queiroz 2

Hart Crane

Construamos uma ponte definitiva
Que sirva de ligação eterna entre Ocidente e o Oriente.
Uma ponte universal, maior do que a de Brooklyn
Irmanando pretos e brancos, ricos e proletários,
No grande dia inesquecível
Da paz e do amor entre os povos.
Então o mar devolverá teu corpo eo mundo em alegria.

"O Tempo da Solidão", Walflan de Queiroz

(Walflan de Queiroz nasceu no dia 31 de Maio de 1930. Morreu em 1995.)

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Walflan de Queiroz

Poema do mutilado

Não me amem. Mutilaram-me quando vim ao mundo.
Não me olhem. Minhas mãos sangram ainda.
Não tenho presente nem passado, não pertenço a nenhum grupo, partido, seita, ou religião.
Amigos me faltam sempre, nunca inimigos.
As mulheres com as quais eu dormi, assassinaram-me.
Tenho estreita afinidade com os bandidos, os contrabandistas e os gângsters.
Tenho vivido já em várias épocas, não fui aceito por nenhuma.
Meu povo é o de Hamlet, o de Macbeth, e o de Ricardo III.
Detesto a chuva, o mar e o crepúsculo.
Amo somente a noite.
Amo somente minha solidão.
Não me amem. Sou um homem mutilado pelo sofrimento.
Não me olhem. Tenho no rosto os estigmas da crueldade.
Não tenho presente nem passado, não pertenço a nenhuma vida e nem a nenhum coração.
Faço poemas apenas porque sou um homem mutilado.

"O Tempo da Solidão", Walflan de Queiroz

(Walflan de Queiroz nasceu no dia 31 de Maio de 1930. Morreu em 1995.)