Levanto-me.
Vou supor-me a
resistir. Lentamente até fugir.
Descubro corridas as
cortinas das janelas deste quarto virado para Oriente. Afasto-as, e os olhos
navegam pelos telhados das casas lá em baixo. São inúmeras e quadradas. Unidas como
se quisessem cuidados umas das outras. Talvez por dentro nem transpirem assim
tanta solidariedade. Mas eu penso nas presenças que as tornam vivas e humanas,
nas conversas que esconderão, nas crianças debruçadas para o beijo ou para a
música, as refeições acesas pelos fogões. Afinal, hoje é domingo e toda a gente
é um horizonte de si. Estão felizes com certeza, e se não estão tentam, por
decerto terem pouco do que rir noutros dias. O domingo é quase tétrico de nos
vermos tão nitidamente. É, no fundo, como a morte onde se prevê aquele
poeta.
"Janela para Oriente", Eduardo White
(Eduardo White nasceu no dia 21 de Novembro de 1963. Morreu em 2014.)
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quinta-feira, 21 de novembro de 2019
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
Eduardo White 3
Assume o amor como um ofício
Assume o amor como um ofício
onde tens que te esmerar,
repete-o até à perfeição,
repete-o quantas vezes for preciso
até dentro dele tudo durar
e ter sentido.
Deixa nele crescer o sol
até tarde,
deixa-o ser a asa da imaginação,
a casa da concórdia,
só nunca deixes que sobre
para não ser memória.
Eduardo White
(Eduardo White nasceu no dia 21 de Novembro de 1963. Morreu em 2014.)
Assume o amor como um ofício
onde tens que te esmerar,
repete-o até à perfeição,
repete-o quantas vezes for preciso
até dentro dele tudo durar
e ter sentido.
Deixa nele crescer o sol
até tarde,
deixa-o ser a asa da imaginação,
a casa da concórdia,
só nunca deixes que sobre
para não ser memória.
Eduardo White
(Eduardo White nasceu no dia 21 de Novembro de 1963. Morreu em 2014.)
terça-feira, 21 de novembro de 2017
Eduardo White 2
O peso da vida!
Gostava de senti-lo à tua maneira
e ouvi-la crescer dentro de mim,
em carne viva,
não queria somente
rasgar-te a ferida,
não queria apenas esta vocação paciente
do lavrador,
mas, também, a da terra
e que é a tua
Assume o amor como um ofício
onde tens que te esmerar,
repete-o até à perfeição,
repete-o quantas vezes for preciso
até dentro dele tudo durar
e ter sentido
Deixa nele crescer o sol
até tarde,
deixa-o ser a asa da imaginação,
a casa da concórdia,
só nunca deixes que sobre
para não ser memória.
"País de Mim", Eduardo White
(Eduardo White nasceu no dia 21 de Novembro de 1963. Morreu em 2014.)
Gostava de senti-lo à tua maneira
e ouvi-la crescer dentro de mim,
em carne viva,
não queria somente
rasgar-te a ferida,
não queria apenas esta vocação paciente
do lavrador,
mas, também, a da terra
e que é a tua
Assume o amor como um ofício
onde tens que te esmerar,
repete-o até à perfeição,
repete-o quantas vezes for preciso
até dentro dele tudo durar
e ter sentido
Deixa nele crescer o sol
até tarde,
deixa-o ser a asa da imaginação,
a casa da concórdia,
só nunca deixes que sobre
para não ser memória.
"País de Mim", Eduardo White
(Eduardo White nasceu no dia 21 de Novembro de 1963. Morreu em 2014.)
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
Eduardo White
Não faz mal.
Voar é uma dádiva da poesia.
Um verso arde na brancura aérea do papel,
toma balanço,
não resiste.
Solta-se-lhe
o animal alado.
Voa sobre as casas,
sobre as ruas,
sobre os homens que passam,
procura um pássaro
para acasalar.
Sílaba a sílaba
o verso voa.
E se o procurarmos? Que não se desespere, pois nunca o iremos encontrar. Algum sentimento o terá deixado pousar, partido com ele. Estará o verso connosco? Provavelmente apenas a parte que nos coube. Aquietemo-nos. Amainemo-nos esse desejo de o prendermos.
Não é justo um pássaro
onde ele não pode voar.
"Poemas da Ciência de Voar e da Engenharia de Ser Ave", Eduardo White
(Eduardo White nasceu no dia 21 de Novembro de 1963. Morreu em 2014.)
Voar é uma dádiva da poesia.
Um verso arde na brancura aérea do papel,
toma balanço,
não resiste.
Solta-se-lhe
o animal alado.
Voa sobre as casas,
sobre as ruas,
sobre os homens que passam,
procura um pássaro
para acasalar.
Sílaba a sílaba
o verso voa.
E se o procurarmos? Que não se desespere, pois nunca o iremos encontrar. Algum sentimento o terá deixado pousar, partido com ele. Estará o verso connosco? Provavelmente apenas a parte que nos coube. Aquietemo-nos. Amainemo-nos esse desejo de o prendermos.
Não é justo um pássaro
onde ele não pode voar.
(Eduardo White nasceu no dia 21 de Novembro de 1963. Morreu em 2014.)
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