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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Antônio Rangel Bandeira 3

Fim do mundo

Todos os jornais darão edições especiais
E ainda um bonde terá tempo de colher um transeunte.
O Presidente dirá palavras de conforto à Nação.
Os bombeiros ficarão a postos
Como à espera dos grandes cataclismos.
À falta de luz eléctrica os homens usarão querosene
Em candieiros alados.
O poeta se perderá em cogitações
De interesse particular.
Um telegrama esclarecerá pequenos detalhes:
- As agulhas das bússolas ficarão desnorteadas
E os sinais telegráficos perder-se-ão no espaço.
Além do mais algumas estrelas cairão sobre o mar
- Parnasianas.
E entre palmas e gritos dos espectadores
A ressurreição da carne será anunciada.


Antônio Rangel Bandeira

(Antônio Rangel Bandeira nasceu no dia 24 de Outubro de 1917. Morreu em 1988.)

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Antônio Rangel Bandeira 2

Amor e medo 

És bela, eu velho;
Tens amor, eu tédio.
Que adianta seres
Bela, se a beleza
É coisa externa que
Não está no coração?
E minha velhice
Não te interessa
Já que, na vida,
Seguimos destinos
Opostos.

Tens amor, bem sei
É próprio da idade,
Que amor é
Tão somente impulso
Da natureza cega,
Para perpetuar
A miséria amarga
De nosso próprio
Infortúnio.
És bela, fui moço,
Tens amor, eu... medo. 

Antônio Rangel Bandeira 

(Antônio Rangel Bandeira nasceu no dia 24 de Outubro de 1917. Morreu em 1988.)

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Antônio Rangel Bandeira

Visibilidade zero

Confesso que estou cansado.
Sobretudo de mim mesmo.
Se o telefone tocar, digam
Que não estou. Quero ficar
Sozinho. Nem quero saber
O que se passa no mundo.
Até a fé na vida perdi.
Não me suporto mais.
Este conflito já dura

Demais entre eu e
Mim mesmo. Vejo
Que vivi uma vida de sonho
Num mundo de cães.
E, se me observo melhor,
Percebo que estou latindo.


Antônio Rangel Bandeira

(Antônio Rangel Bandeira nasceu no dia 24 de Outubro de 1917. Morreu em 1988.)