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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Alberto de Lacerda 6

Regresso

Por toda a parte espectros
Do mapa percorrido em cinco e quarenta
Prolongados anos


A cidade encontra
O espectro do que eu fui
Saído dos horrores da adolescência

Filtra obscuramente
O meu imo
Que não conheço

Vem
irreconhecível
Ao meu encontro

Tacteamo-nos no escuro
Apaixonadamente
O amor é cego
Mas só ele permite
Realmente ver


"O Pajem Formidável dos Indícios", Alberto de Lacerda

(Alberto de Lacerda nasceu no dia 20 de Setembro de 1928. Morreu em 2007.)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Alberto de Lacerda 5

Os poemas
envelhecem


Alguns
(muito poucos)
vão deitando raízes
desconhecidas


No ramo mais alto
o bafo dos deuses


"Átrio", Alberto de Lacerda

(Alberto de Lacerda nasceu no dia 20 de Setembro de 1928. Morreu em 2007.)

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Alberto de Lacerda 4

[Sonhar]

Quero mais do que nunca
Sonhar
Habitar um espaço que existe
Entre presença e ausência
Ausência
Serenamente exaltante
Presença
Nao minha
Quase nada

Quero regressar ao sonho
Espaço
Que se me abre apenas
Quando sei abrir-me
Abandonar-me

À circular
Linha extasiada do horizonte

"Átrio", Alberto de Lacerda

(Alberto de Lacerda nasceu no dia 20 de Setembro de 1928. Morreu em 2007.)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Alberto de Lacerda 3

If

A minha intenção
Se a tivesse
Era interromper de vez em quando as vossas falas
E fazer-vos voltar a cabeça silenciosos
Na única direcção em que os versos existem


"Palácio", Alberto de Lacerda

(Alberto de Lacerda nasceu no dia 20 de Setembro de 1928. Morreu em 2007.)

domingo, 20 de setembro de 2015

Alberto de Lacerda 2

Ilha de Moçambique
 
Desfeitos um por um os nós sombrios,
Anulada a distância entre o desejo
E o sonho coincidente como um beijo,
Exalei mapas que exalaram rios.


Terra secreta, continentes frios,
Ardei à luz dum sol que é rumorejo
Para lá do que eu sou, do que eu invejo
Aos elementos, aos altos navios!


Trouxe de longe o palácio sepulto,
A cobra semimorta, a bandarilha,
E esqueci poços, prossegui oculto.


Desdém que envolve por completo a quilha,
Sou bem o rei saudoso do seu vulto,
Vulto que existe infante numa ilha.


Alberto de Lacerda

(Alberto de Lacerda nasceu no dia 20 de Setembro de 1928. Morreu em 2007.)

sábado, 20 de setembro de 2014

Alberto de Lacerda

Hino ao Tejo

Ó Tejo das asas largas
Pássaro lindo que se ouve em todas as ruas de Lisboa
Ó coroa duma cidade maravilhosa
Ó manto célebre nas cortes do mundo inteiro
Faixa antiga duma cidade mourisca
Fénix astro caravela liquida
Silêncio marulhante das coisas que vão acontecer
Deslizar sem desastres sem fado sem presságio
Tu ó majestoso ó Rei ó simplicidade das coisas belíssimas
Nas tardes em que o sol te queima passo junto de ti
E chamo-te numa voz sem palavras marejada de lágrimas
Meu irmão mais velho


Alberto de Lacerda

(Alberto de Lacerda nasceu no dia 20 de Setembro de 1928. Morreu em 2007.)