A água
Despe, na solidão da tarde,
Tua roupagem manchada de quotidiano,
E deixa que a chuva molhe teus cabelos
E vista teu corpo de escamas de prata.
Pousa, em teus ombros, o manto dos lagos
E colhe no cântaro de tuas mãos
A música dos dias que adormeceram
No fundo de teu ser.
Mármores líquidos moldarão teu corpo.
Nuvem,
Penetrarás a carne da manhã.
"Quinze Anos de Poesia", Paulo Bomfim
(Paulo Bomfim nasceu no dia 30 de Setembro de 1926)
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segunda-feira, 30 de setembro de 2019
terça-feira, 21 de maio de 2019
Olga Savary 2
A água
se enovela pelas pernas
em fio de vigor espiralado
sobre o ventre e o alto das coxas.
O orgasmo é quem mede forças
sem ter ímpeto contra a água.
(Olga Savary nasceu no dia 21 de Maio de 1933)
se enovela pelas pernas
em fio de vigor espiralado
sobre o ventre e o alto das coxas.
O orgasmo é quem mede forças
sem ter ímpeto contra a água.
Olga Savary
(Olga Savary nasceu no dia 21 de Maio de 1933)
domingo, 17 de março de 2019
Ronaldo de Castro 3
A água
A água corre
a distância cilíndrica
e num jato frio morre
na boca nívea da pia
A esponja mineral
do canteiro chupa a água
O esgoto é sepultura
das águas desta cidade
que lavam ruas e sexos
e a sede matam também
Pluvial ou água clorada
a água líquida informe
são as formas diluídas
de sorrisos naufragados
Quando o gelo é água dura
engarrafada é pileque
no rio é casa de peixe
no céu é nuvem equestre
no mar pode ser salitre
Água água sempre água
deslizante fugidia
água benta batizando
água suja intoxicando
água quente e água fria
Já que a seca é falta d'água
matando plantas e bichos
a humanidade é pau-d'água
Água água sempre água
"Cuiabanália", Ronaldo de Castro
(Ronaldo de Castro nasceu no dia 17 de Março de 1941. Morreu em 2001.)
A água corre
a distância cilíndrica
e num jato frio morre
na boca nívea da pia
A esponja mineral
do canteiro chupa a água
O esgoto é sepultura
das águas desta cidade
que lavam ruas e sexos
e a sede matam também
Pluvial ou água clorada
a água líquida informe
são as formas diluídas
de sorrisos naufragados
Quando o gelo é água dura
engarrafada é pileque
no rio é casa de peixe
no céu é nuvem equestre
no mar pode ser salitre
Água água sempre água
deslizante fugidia
água benta batizando
água suja intoxicando
água quente e água fria
Já que a seca é falta d'água
matando plantas e bichos
a humanidade é pau-d'água
Água água sempre água
"Cuiabanália", Ronaldo de Castro
(Ronaldo de Castro nasceu no dia 17 de Março de 1941. Morreu em 2001.)
sábado, 28 de outubro de 2017
Américo Durão 2
A água
Eu fui a sombra a converter-se em luz,
E fui a névoa a transformar-se em cor,
E fui o pranto a consagrar a dor,
Quando brilhei nos olhos de Jesus.
E fui a nuvem a buscar a altura,
E recebi do Sol a cor da chama.
Caí na terra e converti-me em lama
Para a tornar melhor e menos dura!
Fui pranto de perdão e de humildade...
E foi nuns olhos cheios de saudade
Que mais linda me fiz e desejei!...
E fui rio... e fui mar... e onda... e espuma...
E, em sonho de Poetas, fui a bruma...
O vago... o indeciso... o que não sei...
"Penumbras", Américo Durão
(Américo Durão nasceu no dia 28 de Outubro de 1894. Morreu em 1969.)
Eu fui a sombra a converter-se em luz,
E fui a névoa a transformar-se em cor,
E fui o pranto a consagrar a dor,
Quando brilhei nos olhos de Jesus.
E fui a nuvem a buscar a altura,
E recebi do Sol a cor da chama.
Caí na terra e converti-me em lama
Para a tornar melhor e menos dura!
Fui pranto de perdão e de humildade...
E foi nuns olhos cheios de saudade
Que mais linda me fiz e desejei!...
E fui rio... e fui mar... e onda... e espuma...
E, em sonho de Poetas, fui a bruma...
O vago... o indeciso... o que não sei...
"Penumbras", Américo Durão
(Américo Durão nasceu no dia 28 de Outubro de 1894. Morreu em 1969.)
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