terça-feira, 31 de julho de 2018

Dom António, o outro 3

Foto Tarrenego!

D. António Rafael é quem agora carrega a cruz. Nascido no dia 11 de Novembro de 1925, em Paradinha, Moimenta da Beira, foi ordenado padre no dia 22 de Agosto de 1946, na Sé de Lamego, e nomeado bispo auxiliar de Bragança em 1976 e bispo de Bragança e Miranda em 1979. Rotulado como "o mais político dos bispos portugueses", chegou a pedir aos nossos emigrantes para não enviarem as suas poupanças para Portugal durante o Governo de Mário Soares, porque o dinheiro iria cair "num saco roto". Mas também elogiou o ex-primeiro-ministro socialista e ex-Presidente da República. D. António cultiva sobretudo as grandes tiradas.
Os bragançanos criticam-lhe particularmente o facto de utilizar nos seus sermões temas mais do foro político e sociológico do que propriamente da pastoral cristã, parecendo querer falar mais para o País no seu todo do que para o rebanho que lhe foi confiado, e dando a ideia de que está em missão, por assim dizer, de doutrinador a nível nacional. D. António considera o laicismo "a maior heresia dos nossos tempos", mas afirma, por outro lado, que "muitos comunistas são mais cristãos do que alguns beatos frequentadores de igreja". Apresenta-se como defensor "dos direitos dos homens e do ensino da coragem para trazer a fé à vida. Apesar de "estrangeiro", diz que quer "devolver Bragança aos bragançanos". Prega que "profissional cristão é o que nunca se engana, que não se vende nem se aluga, mas se dá permutando serviços e competência, o que nunca recebe mais do que trabalha, mas trabalha sempre um pouco mais do que recebe".
D. António Rafael, bispo de Bragança, gosta de dizer que sabe que inquieta. E presta-se prazenteiramente a enumerar a lista dos que tem (e o têm a ele) no ponto de mira: "Os comunistas, os capitalistas, os maçónicos, os sem ideologia, os particulares, os beatos". Pergunto-lhe, no fim do rol, quem sobrará consigo, que apoios lhe restarão. Responde-me com um encolher de ombros...

(Terceira parte de um trabalho que escrevi para a revista Sábado em Dezembro de 1991, na sequência de uma entrevista que fiz ao bispo de Bragança e Miranda, para o jornal O Primeiro de Janeiro, um ano antes. António José Rafael morreu no passado domingo, com 92 anos. Amanhã volto ao assunto.)

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