quarta-feira, 28 de junho de 2017

Raul Seixas

17 de julho

O dia teima em amanhecer-me.
Os pombos da janela arrulham
Sem trazer-me o conforto
De uma mensagem audaz.
Desenho meus momentos
Sem ansiar por rimas.
Vozes veladas de veludo verde
Voa vento...
 À vontade e despido
Nu ante as arquibancadas
Marina não se mostra
Oswaldo noctivagando...
Presa fácil da minha cerebrotônica labilidade
À terrível lucidez do medíocre.
Negar que é pestilento, jamais.
O mais e o mesmo são valoráveis.
Porém do nada se extrai
Da média-ocridade
Idade da pedra.
Me incomoda
 

A dúvida que, mascarada em cão,
Ladra e morde enfermamente. Não.
Não quero interferências banais
Interferindo no meu espírito.


"O Baú do Raul Revirado", Raul Seixas

(Raul Seixas nasceu no dia 28 de Junho de 1945. Morreu em 1989.)

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