sábado, 19 de novembro de 2016

Onomástica, toponímia & outros nomes esquisitos

                                                                         Foto Hernâni Von Doellinger

A desimportância de me chamar Hernâni Von Doellinger
É uma chatice ter um nome assim como o meu, tão aparentemente distintivo, e afinal não ser caso único. Já não me bastava a complicação de passar a vida a repetir vezes sem conta o meu sobrenome ao telefone, sem que ninguém me perceba, acabando depois por dizer que me chamo Hernâni Silva, e fica o assunto resolvido, agora há dois Hernâni Von Doellinger (meus parentes certamente, mas que eu não conheço) nessa treta que é o Facebook, e um deles figura também no catálogo de um site de encontros. Juro que não sou eu. Não aderi ao Facebook, sou contra. E não procuro parceira, estou servido. Eu sou o outro Hernâni Von Doellinger. Ou Silva, se der mais jeito.

A honra dos Silvas
Um parente que eu não sei se tenho a prazer de conhecer comentou o meu texto acima afirmando o seu "orgulho em ser um VON DOELLINGER", o que só lhe fica bem. Teria sido bonito que alguém tivesse também saído a terreiro em defesa da honra dos Silvas. Exactamente: alguém de velha têmpera e honra antiga que ousasse chegar-se à frente para gritar alto e bom som, de estandarte em punho e peito inflado de altivez:
- Eu tenho muito orgulho em ser um SILVA, há algum problema?!...
Os Silvas, é preciso que se note, não são uma merda qualquer, e não estou sequer a falar do ilustre casal de ex-inquilinos do Palácio de Belém, que faz aqui tanta falta como o queijo gruyère numa caldeirada de enguias. A primeira linhagem de Silvas é de príncipes e anterior à fundação da nacionalidade portuguesa. Os Silvas de pé-rapado conquistaram Portugal e os Brasis, é só ir ver as listas telefónicas. Os Silvas são uns grandes pinantes, é só ir ver os registos dos motéis, mas aqui são nomes falsos. Os Silvas, se um dia se chateiam, o País pára, porque os Silvas são o País. Chamar ó Silva! num autocarro articulado da STCP é um perigo: os 145 passageiros (48 sentados, 96 de pé e um numa cadeira de rodas) olham todos para trás e o motorista também. O Silva dos Plásticos era mais conhecido do que o Papa. Silva I seria um bom nome para um Papa português.
Embora ninguém escolha ser Silva, nem ser nome nenhum, está visto que os Silvas só têm motivos de orgulho. E quem diz os Silvas, diz os Santos, os Ferreiras, os Pereiras, os Rodrigues, os Costas, os Oliveiras, os Martins, os Sousas, os Gonçalves, os Almeidas, os Carvalhos, os Farias, os Magalhães, os Alves, os Teixeiras, os Lopes, os Ribeiros, os Castelos e até os Brochados. Sim, porque não os Brochados? Há algum problema?... 

É Fareja, Nuno, Fareja!
"Há uma cabra à solta em Fajães, no concelho de Fafe, que está a deixar os nervos em franja aos habitantes locais. Com pompa, Bento Rodrigues começava assim, ontem, uma notícia no Primeiro Jornal da SIC. E lá vinha a reportagem, numa recôndita aldeola do Portugal profundo, onde uma cabra tem surgido na calada da noite, junto ao cemitério local, a fazer das suas. Foi na SIC, mas podia ter sido na TVI. Para o caso tanto faz. É o que dá esticar noticiários para fazer contraprogramação."
Era assim, com não menos pompa do que Bento Rodrigues, que o jornalista Nuno Azinheira começava a sua Crónica de TV, no Diário de Notícias.
De televisão, de jornalismo, do que é realmente notícia e do que deve ser contado aos leitores e aos telespectadores percebe o Nuno Azinheira, crítico televisivo consagrado e último director do jornal 24horas, o que fechou a porta, e portanto não vou discutir com ele. Tomo apenas a liberdade de, humildemente, explicar-lhe o seguinte: não é Fajães, Nuno, é Fareja! Fareja!! Fajães foi inventado por ti, que também de certeza não sabes indicar Fafe no mapa. E por isso dizes que Fareja (Fajães, na tua versão) é uma "recôndita aldeola do Portugal profundo". Mas não é, Nuno! Fareja (Fajães, na tua versão) não é recôndita nem é uma aldeola, já passou por lá Jesus Cristo e o comboio também, e profunda é mas é a tua... ignorância.

Onomástico
Segismunda acrisolada,
recanto do meu amor,
´tás um pouco constipada,
faz favor d'entrar, senhor! 

Pica, 6 - Fareja, 0
Fafe tem nomes que são um mimo. Uma terra que tem um lugar chamado Pica e uma freguesia chamada Fareja só pode ser uma grande terra. E Fafe é realmente. Aqui atrasado, em dia de apuramento para a Liga dos Campeões, Pica e Fareja fizeram um jogo-treino, e o resultado, sendo contundente, não significava nada por aí além, como muito bem explicou então o sempre atento blogue Montelongo Desportivo, de onde retirei a notícia.
Mas é preciso que se note: para quem é de Fafe, como eu, Fareja e Pica são nomes absolutamente normais, que só fazem confusão ao jornalista Nuno Azinheira, que chamou Fajães a Fareja, e a uns caralhos de fora que não conseguem passar pela tabuleta da Pica sem lhe meter a cedilha. 

Ó da Guarda!...
Ó da Guarda, gritou Quitério. Faz favor de dizer, apresentou-se Manuel Miguel de Sousa Pelica, nascido e residente na ex-freguesia de Avelãs de Ambom, e por acaso de visita ao Porto derivado a uma consulta.

Agá
Tenho uma pessoa da família que agora me chama Agá. E eu gosto. Gosto de palavras, gosto do falar antigo, gosto de nomes, gosto de brincar com nomes. Gosto de me rir. E às vezes rio-me com os nomes que me vêm à cabeça, por exemplo Al Mirante, Sam Dwich, Sara Pinto, Rick Ardo, Poly Ban, Bica Bornato, Herr Nesto, Sade Miranda, Rui Barbo, Biv Alves, Ono Mástico ou Tony Truante. Rio-me do meu apelido, doellinger, que não levo a sério e só me arranja confusões. Silva, para mim, já estaria bem. Sabem que mais? Quem se leva a sério é tolo.
A pessoa da minha família chama-me Agá porque é assim que eu assino. Mas assino agá pequenino ponto, h., sei muito bem o meu lugar e o meu tamanho no mundo. É: agá, de hernâni, e pronto.
O meu sonho, um dos meus mais de mil sonhos, era, porém, chamar-me e poder assinar H. Ramos. Quero dizer, agá ramos.
Melhores cumprimentos,
h.

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