sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Com uma facada, era tiro e queda

Foto Hernâni Von Doellinger

Sou dos filmes de cobóis desde pequenino e particular consumidor dos spaghetti de Sergio Leone com música de Ennio Morricone. Tenho-os na despensa, a colecção completa e indispensável. Gosto. Gosto e assobio. Vejo-os sempre que me apetece, e se dão na televisão, como dão de vez em quando na RTP 2 ou agora nestes canais que nos saem do bolso, não mando ninguém ver por mim. Vejo. Vejo e assobio. Porém, ao fim destes anos todos e após milhões de sessões, devo confessar o seguinte: continuo sem perceber a morte dos bandidos. Há ali qualquer coisa que não bate certo. Quer-se dizer - os bandidos é como tordos, morrem uns atrás dos outros até chegar ao chefe, e assim é que está bem, mas já repararam à custa e ao fim de quantos balázios? Já contaram quantas balas são precisas para matar um bandido, um só, nem que seja um simples soldado raso? Praí dezasseis e todas na muche, até que o estafermo do bandido, um só, repito, aceite esticar de vez o pernil. É muita despesa e má propaganda à inquestionável pontaria, por exemplo, de um atirador da marca de Clint Eastwood. Em contrapartida, quando a coisa é resolvida à facada, o mau da fita morre logo à primeira. Tiro e queda, já viram?
Acho mal.

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