terça-feira, 29 de novembro de 2016

António Ferreira

Dos mais formosos olhos

Dos mais formosos olhos, mais formoso
Rosto, que entre nós há, do mais divino
Lume, mais branca neve, ouro mais fino,
Mais doce fala, riso mais gracioso,

De um angélico ar, de um amoroso
Meneio, de um espírito peregrino,
Se acendeu em mim o fogo, de que indigno
Me sinto, e tanto mais assim ditoso.

Não cabe em mim tal bem-aventurança.
É pouco uma alma só, pouco uma vida,
Quem tivesse que dar mais a tal fogo!

Contente, a alma dos olhos água lança
Pelo em si mais deter, mas é vencida
Do doce ardor, que não obedece a rogo. 


"Poemas Lusitanos", António Ferreira

(António Ferreira nasceu em 1952. Morreu no dia 29 de Novembro de 1569.)

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