quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Fagundes Varela

A flor do maracujá

Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do sabiá,

Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá!


Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,

Pelas gotas de sereno
Nas folhas do gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá.


Pelas tranças da mãe-d’água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,

Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá.


Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá!


Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá!
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová!

Pela lança ensanguentada
Da flor do maracujá!

Por tudo que o céu revela!
Por tudo que a terra dá

Eu te juro que minh’alma
De tua alma escrava está!...
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá!


Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em "á"
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá!

Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!


Fagundes Varela

(Fagundes Varela nasceu no dia 17 de Agosto de 1841. Morreu em 1875.)

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