sábado, 16 de abril de 2016

José Geraldo Vieira 2

Sem soltar o braço de Brígida, Gonçalo olhava para as portas e para o alto da escada. Percorreu tudo, desde a cozinha à "sala que não abre nunca" e subiu para revistar os quartos e os salões. Ria, fazia um ar de espera, a ver se lhe diziam; encaminhou-se para o jardim, até as parreiras, foi espiar em volta do moinho, onde afi nal encontrou a ama com o garoto. Mas, industriada pela tia Mariana, a ama fugia-lhe. Mal a alcançava, ela desvencilhava-se, obedecendo sempre aos gestos e à voz da tia Mariana.
- Gestatten Sie, bitte, ich bin sein Vater! Io sono il babo! I am the daddy! Mais, nom de Dieu, c’est mon enfant! (Dizia assim, em diversos idiomas porque achava a ama com cara de estrangeira e não atinava com a nacionalidade dela).

"A Quadragésima Porta", José Geraldo Vieira

(José Geraldo Vieira nasceu no dia 16 de Abril de 1897. Morreu em 1977.)

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