terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Adelmar Tavares

Serenidade

Nunca de mim se ouviu um só protesto
de maldição, de cólera aturdida,
sequer uma palavra, ou mesmo um gesto
de malquerer a quem mais quis na vida.


Arrasto como a um fardo, a alma ferida,
e a dor que me crucia, manifesto,
sem jamais inculpar de fementida,
aquela que em meu sonho amo, e requesto.


Em perdendo-a, perdi toda a alegria
do coração que em mágoas apunhalo.
Perdi a luz!... Fechou-se o sol que eu via!...


Tudo abateu com a queda desse amor,
tão forte, que ainda sinto o seu abalo,
tão grande, que ainda escuto o seu fragor
.

"Noite Cheia de Estrelas", Adelmar Tavares

(Adelmar Tavares nasceu no dia 16 de Fevereiro de 1888. Morreu em 1963.)

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