sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Os Monizes Rebellos de Fafe e outros Sillvas

Livros é em Fafe. E, sem saber ler nem escrever, a Câmara assina de cruz e o Dr. Coimbra lá está. Apresenta-se agora a obra "Moniz Rebello, de Fafe - Ascendência mais remota e descendência atual", creio que o título diz tudo, de autoria do "historiador e genealogista Maurício Antonino Fernandes". (Note-se que o nome do autor, provavelmente plebeu, posto que Maurício e Antonino, não dobra, modesta e pudicamente, nenhuma consoante). Ter a mania do nome é uma tontice, mas cada qual é que sabe. O Município de Fafe, "Organização governamental", alinhar na promoção dessa vaidade privada, isso é que já me parece confrangedor. Ainda por cima, esta Câmara anda ultimamente um bocadinho azarada com os livros que escolhe apaparicar, com as encomendas que aceita recovar. Eu, de Fafe, assim de repente apetecia-me mais um livro sobre os Quinzinhos, a começar pelo mui ilustre Quinzinho da Farmácia, ou, vá lá, sobre os Ferreyras, os Pereyras, os Olliveiras, os Gonçallves, os Allmeidas ou os Sillvas, que os tínhamos e temos muitos e bons, fafenses excelentíssimos, gente de famílias que poderão não remontar "a tempos anteriores à fundação da nacionalidade", mas que é povo honrado, de cepa sem enxertia, e pelo menos nunca bateu na mãe, como o tal Afonso Henriques, esse gabiru de saias que tem estátua em Guimarães.
A propósito dos Silvas, lembro-me do que escrevi aqui no dia 21 de Setembro de 2011. O texto chamava-se "A honra dos Silvas":

Um parente que eu não sei se tenho a prazer de conhecer comentou o meu texto anterior afirmando o seu "orgulho em ser um VON DOELLINGER", o que só lhe fica bem. Teria sido bonito que alguém tivesse também saído a terreiro em defesa da honra dos Silvas. Exactamente: alguém de velha têmpera e honra antiga que ousasse chegar-se à frente para gritar alto e bom som, de estandarte em punho e peito inflado de altivez:
- Eu tenho muito orgulho em ser um SILVA, há algum problema?!...
Os Silvas, é preciso que se note, não são uma merda qualquer, e não estou sequer a falar do ilustre casal de inquilinos do Palácio de Belém, que faz aqui tanta falta como o queijo
gruyère numa caldeirada de enguias. A primeira linhagem de Silvas é de príncipes e anterior à fundação da nacionalidade portuguesa. Os Silvas de pé-rapado conquistaram Portugal e os Brasis, é só ir ver as listas telefónicas. Os Silvas são uns grandes pinantes, é só ir ver os registos dos motéis, mas aqui são nomes falsos. Os Silvas, se um dia se chateiam, o País pára, porque os Silvas são o País. Chamar ó Silva! num autocarro articulado da STCP é um perigo: os 145 passageiros (48 sentados, 96 de pé e um numa cadeira de rodas) olham todos para trás e o motorista também. O Silva dos Plásticos era mais conhecido do que o Papa. Silva I seria um bom nome para um Papa português.
Embora ninguém escolha ser Silva, nem ser nome nenhum, está visto que os Silvas só têm motivos de orgulho. E quem diz os Silvas, diz os Santos, os Ferreiras, os Pereiras, os Rodrigues, os Costas, os Oliveiras, os Martins, os Sousas, os Gonçalves, os Almeidas, os Carvalhos, os Farias, os Magalhães, os Alves, os Teixeiras, os Lopes, os Ribeiros, os Castelos e até os Brochados. Sim, porque não os Brochados? Há algum problema?

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