quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O homem-estátua

Porto. Ao fim de 35 anos de inabalável serviço na ex-libríssima Avenida dos Aliados, o homem-estátua chamou o fiscal da Câmara num pst! muito bem disfarçado. "Ó colega, isto aqui já não dá nada. Vou-me embora, provavelmente para Moçambique e levo um guarda-sol. Lembras-te do Relvas? Sabias que sempre que os portugueses emigram têm uma visão universalista que lhes traz sucesso?", disse o homem-estátua ao fiscal camarário, por entre dentes e sem perder a pose. Era efectivamente um homem-estátua muito profissional e filósofo. "Além disso, estou farto de que me caguem em cima", acrescentou, descendo finalmente do banco de cozinha e arrumando os tarecos em dois sacos plásticos do Pingo Doce do tempo em que os sacos plásticos eram de borla. "As pombas?", perguntou o fiscal da Câmara, que era um bocado lento. "Os pombos, Pedro e o Paulo", respondeu o homem-estátua.

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