terça-feira, 1 de setembro de 2015

Talhão de fumadores ou não fumadores?

Bonifácio Terrafunda era coveiro no cemitério da Junta de Freguesia de Sabugal do Meio há mais de quarenta anos. Funcionário exemplar, pai de duas famílias. Um dia, para o que lhe havia de dar, resolveu dividir o campo-santo em dois talhões devidamente assinalados, um para "Fumadores" e outro para "Não fumadores", como nos aviões antigamente. A coisa veio nos jornais, quer-se dizer, no Correio da Manhã. Anacleto Boavida, jovem presidente da autarquia, passou-se dos carretos, instaurou inquérito e competente processo disciplinar, meteu advogado e testemunhas, imagens do YouTube, e o velho coveiro foi inapelavelmente remetido para o olho da rua, por indecente e má figura, isto é, despedido com justa causa. "É que não se admite, com os mortos não se brinca - justificava o fulgurante autarca, alto e bom som, para quem o quisesse ouvir, que era a esposa. - Aquela gente, se lá está, é porque, por definição, deixou toda de fumar".

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