quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

António Feliciano de Castilho 2

Epigramas

I
Amigo, estou tão poeta
que em versos consumo o dia.
Tomara achar um remédio
que me curasse a mania.

Se queres gelar o estro,
isso está na tua mão: 
lê as odes de Filinto
e os sonetos do Garção. 

II
Brevemente sai à luz
obra de um génio distinto:
uma versão portuguesa
da Opera Omnia de Filinto.

III
Amigo, tive esta noite
negro, horrível pesadelo;
ainda ao lembrar-me dele
se me arrepia o cabelo.

Deus te livre, e livre a todos,
de sentir o que inda sinto: 
pois não sonhei que me liam
três páginas do Filinto?

IV
Exclamou certo avarento
a um que se ia enforcar:
"– Feliz homem, que três dias 
pôde comer sem gastar!". 

V
André Pinto andar não pode,
manda médico chamar.
Chega o médico... receita...
e André Pinto põe-se a andar! 

António Feliciano de Castilho

(António Feliciano de Castilho nasceu no dia 28 de Janeiro de 1800. Morreu em 1875.)

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