terça-feira, 19 de julho de 2011

Elas andam aí

Não fazem ideia do que me aconteceu hoje. Estou aqui todo a tremer, como varas verdes, e já passaram mais de três horas. Estão a ver as minhas mããããoooossss?
Foi o seguinte: tive que me pôr a pé mais cedo para ir aí a um sítio e pouco depois das oito já estava na estrada. Chego aos primeiros semáforos, e o que é que eu vejo no carro logo à minha direita? Uma mulher ao volante. Olho para o carro da esquerda, e o que é que está lá dentro? Uma mulher ao volante. Procuro atrás, tento a salvação à frente, mas nada. Tanto quanto a minha vista alcança, em plena avenida, só mulheres ao volante! Novas, velhas e imprecisas. Bonitas, remediadas e camafeus. Não eram mulheres, eram milhares, milhões! A ralharem com o banco traseiro, a acompanharem com a cabeça o lá, lá, lá da telefonia, a falarem ao mesmo tempo por três telemóveis, a lerem nos entretantos a Dica da Semana e a fumarem... pelas orelhas?
Não acreditam? Experimentem ir para a rua a essa hora. Vão ver, é um autêntico filme de terror. De facto, ainda me passou pela cabeça que fosse uma invasão, que fossem extraterrestres disfarçados de mulheres. (Não se riam, que eu já vi na televisão). Mas não, eram mesmo elas.
É preciso que se note: eu não sei se elas até conduzem bem. Não sei se isso é possível. Quer-se dizer, elas são mulheres, não é? Mas eu, sou sincero, deu-me o badagaio.
Comecei a tremer, mais do que ainda tremo agora, o coração a palpitar, a acelerar e a ameaçar disparar-me do peito, que também já me doía, vieram-me ouras, vómitos e dores de barriga, suores frios e quentes, como os banhos, comichão pelo corpo todo, falta de ar e de dinheiro, ai que eu abafo!, ai que eu abafo! Ai que eu morro!, ai que eu morro! E, de fora de mim, consegui ver-me a morrer ali mesmo, numa poça de... numa poça de... suores mornos.
E a verdade é só uma: só não morri porque, antes de desfalecer em cheio contra o porta-luvas, ainda consegui juntar um restinho de forças para pedir à minha, num fiozinho de voz: "Ó mulher, vamos para casa, por favor! Vira para trás, vira para trás"...

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